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Afastamento de diretoria causa racha

O bailado fugiu do compasso nos corredores da Escola de Dança do Theatro Municipal de São Paulo. Única instituição pública da Capital a oferecer gratuitamente curso de formação completa na área, a escola da Prefeitura, localizada na Praça das Artes, na região central, se tornou palco de um racha entre pais de alunos, que divergem sobre seu projeto artístico-pedagógico. O clima de hostilidade se acirrou no mês passado. Motivado por denúncias de falta de transparência, discriminação e violência psicológica, o Ministério Público Estadual abriu uma investigação preliminar para averiguar a transição de metodologias ocorrida após a contratação de Priscilla Yokoi como diretora artística do espaço, em agosto de 2017. O fato levou a Fundação Theatro Municipal, responsável pela manutenção da escola, a desligar Yokoi no dia 5 deste mês, junto de sua equipe. A decisão tem provocado uma guerra de versões entre os pais sobre a conduta da diretoria. O caso foi parar também na Câmara dos Vereadores, onde foi debatido na última quarta-feira (18) na Comissão de Educação, Cultura e Esportes. Com Yokoi, o curso regular sofreu aumento do número de disciplinas e da carga horária, visando a formação de bailarinos profissionais de alta performance, como indicado no manual do candidato da última seleção. Ela também adotou um regime de aulas de reforço, organizou apresentações no Theatro Municipal, criou uma companhia jovem e colocou os alunos para participar de festivais competitivos.Enquanto alguns pais criticam o projeto, acusando-o de ser exaustivo para as crianças e de estimular a segregação entre alunos mediante desempenho, outros veem na iniciativa uma preparação sólida e fazem campanha nas redes sociais pela volta da diretoria. Yokoi refuta todas as acusações. Fundada em 1940, a escola tem 932 alunos matriculados. Até 2017, as turmas de primeiro e segundo ano tinham 9 horas de aula por semana. Desde o ano passado, elas passaram a 20 horas, distribuídas de segunda a sexta das 7h30 às 11h30. De acordo com a promotora Luciana Bergamo, que apura o caso de forma preliminar, o Ministério Público Estadual pretende verificar se o celeiro de discórdias encontrado na escola fere o Estatuto da Criança e do Adolescente.
(FP)

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