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O Projeto Tietê foi criado em 1992 e até hoje já usou 3 bilhões de dólares
O Projeto Tietê foi criado em 1992 e até hoje já usou 3 bilhões de dólares
Foto: Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo

R$ 320 milhões para despoluir o Tietê

Desde 1992 o governo de São Paulo garante que irá despoluir o Tietê, sem sucesso; agora, João Doria contrai empréstimo milionário e faz novas promessas, que incluem o rio Pinheiros

O governador João Doria (PSDB) conseguiu na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), em outubro, aprovação para contratar um empréstimo ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de 80 milhões de dólares, ou aproximadamente R$ 320 milhões, para a continuidade dos trabalhos de despoluição do rio Tietê. Essa é mais uma etapa do Projeto Tietê, criado em 1992 e que até hoje já usou 3 bilhões de dólares, ou cerca de R$ 12 bilhões, dos cofres públicos estaduais para devolver a vida ao rio mais importante da Capital. Vinte e sete anos depois do primeiro real colocado no projeto, porém, o trecho urbano do Tietê está longe de ter um aspecto minimamente agradável.

Na sequência, Doria também se comprometeu a entregar o rio Pinheiros limpo até 2022 (leia ao lado). As promessas nesse sentido se estendem por décadas. Em 1992, o governador Luiz Antonio Fleury Filho (PMDB) anunciou, após um abaixo-assinado juntar 1,2 milhão de assinaturas, o lançamento do Projeto Tietê. Confiante, Fleury fez uma promessa ousada: "Em 1995 beberei um copo d'água do Tietê". Como se sabe, não bebeu.

O seu sucessor, Mário Covas, manteve o projeto. Ao morrer, em 2001, seu vice, Geraldo Alckmin, tomou para si a missão de devolver a vida ao Tietê.

Entre as promessas do governador tucano, Alckmin disse em 2003 que iria entregar o Tietê limpo e navegável até 2004; e, em 2011, anunciou que em 2015 o rio no trecho que passa pela Capital não teria mais odor ruim e teria algumas espécies de peixe.

Nada disso aconteceu, mas houve alguns avanços. Quando o Projeto Tietê começou, a poluição se estendia por 530 quilômetros dentro do Estado. Hoje ele é considerado morto em 122 quilômetros. Nesse tempo, o tratamento do esgoto despejado no rio passou de 24% para 78%.

SOLUÇÕES

Segundo a coordenadora do Programa Água da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, a limpeza do rio só será conquistada a partir de uma ação conjunta dos 34 municípios da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê.

"Para despoluir o rio não adianta tratar o rio, tem que tratar o uso do solo, o saneamento em todos os 34 municípios da bacia do Alto Tietê. É um absurdo uma cidade não conversar com a outra". Um caso emblemático, segundo ela, é o de Guarulhos, que quis fazer sua própria estação de tratamento de esgoto, por questões políticas, e não entrar em acordo com a Sabesp.

Os avanços que devem ser conquistados por Doria são resultados do trabalho iniciado em 1992, diz a coordenadora, mas ela também vê avanços na atual gestão. "Doria trouxe algo importante: colocar todos os órgãos do estado trabalhando juntos, e não mais cada um na sua caixinha. Outra coisa positiva é que a Sabesp conseguiu fazer um acordo com Guarulhos. Mas agora precisa mostrar que há uma boa gestão".

Por fim, ela diz que é fundamental que o governo do Estado desta vez cumpra a palavra, senão o Projeto Tietê entrará em total descrédito. "O maior desserviço que tivemos no Projeto Tietê foi quando o governador Fleury falou para a sociedade que num curto espaço de tempo o rio estaria despoluído. O Doria também fez esse tipo de compromisso agora com o Pinheiros. Se a palavra não for cumprida desta vez, a sociedade não vai mais acreditar que é possível limpar os rios, vai achar que tudo bem, o rio é sujo assim mesmo, não tem o que fazer. É fundamental que desta vez não seja mais uma promessa política".

Doria prevê Pinheiros limpo até 2022

O governo de São Paulo e a Sabesp assinaram neste mês os quatro primeiros contratos com as empresas que estão iniciando parte dos pacotes de obras do Novo Rio Pinheiros, programa com o objetivo de devolver o rio Pinheiros limpo à população até 2022.

Também houve o anúncio da assinatura dos contratos de financiamentos concedidos pelo BID e pelo Banco Mundial para obras que vão ampliar os serviços de coleta e tratamento de esgoto, incluindo infraestrutura de saneamento na bacia do Pinheiros.

De acordo com o governo, os contratos totalizam U$ 550 milhões e preveem contrapartidas da Sabesp que somam US$ 300 milhões, elevando para US$ 850 milhões os investimentos. Somados, os investimentos chegam a R$ 2,568 bilhões em programas de infraestrutura e saneamento.

Os quatro primeiros lotes anunciados para obras de saneamento pela Sabesp dentro do programa Novo Rio Pinheiros vão ampliar a coleta e envio para tratamento do esgoto de 47 mil imóveis localizados nas sub-bacias dos córregos Corujas/Rebouças, Ponte Baixa/Socorro, Aterrado/Zavuvus e Pedreira/Olaria, beneficiando, ainda segundo a atual gestão, uma população de 770 mil pessoas em todo o entorno. Somados, os contratos totalizam R$ 236 milhões.

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