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Edson Aparecido, secretário municipal da Saúde de São Paulo
Edson Aparecido, secretário municipal da Saúde de São Paulo
Foto: Reprodução/G1

Edson Aparecido: 'Lockdown não pode ser decretado só pela Capital'

Secretário municipal da Saúde diz que São Paulo não tem condições de decretar confinamento sozinha e que a medida deveria ser coordenada pelo governo do Estado

Em entrevista exclusiva à Gazeta, o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, afirmou na noite de quinta-feira (21) ser difícil a cidade de São Paulo decretar de forma isolada o lockdown (termo em inglês para confinamento) na Capital, e deve esperar uma coordenação do governo estadual para avaliar a medida. Ele também fez um balanço dos "feriadões" na cidade e dos hospitais de campanha, explicou como a gestão está lidando com as pessoas em situação de rua e deu a sua versão sobre a acusação de superfaturamento da prefeitura em compra de máscaras.

De acordo com Aparecido, a Capital não tem condições de decretar o confinamento pela conurbação (quando, pelo crescimento desordenado, duas cidades “se encontram”) com outros 39 municípios da região metropolitana. “É muito difícil a gente falar em lockdown em uma cidade altamente conurbada como é São Paulo. Para ter uma ideia, nós temos 1.746 ruas que fazem divisa com outros municípios. A calçada da direita e de São Paulo, a calçada da esquerda é de outra cidade. Um lockdown que tivesse efetividade, resultado epidemiológico, sanitário , não pode ser decretado só pela Capital. Ele precisaria ser decretado primeiro por esse conjunto de 39 cidade”.

Na entrevista, o secretário afirmou que as cidades brasileiras não têm poder de polícia, o que também prejudicaria a adoção do lockdown. Para o confinamento ser efetivo, explicou, é necessário que a gestão João Doria (PSDB) coordene a ação. “Está muito claro para todos nós que uma medida como essa tem que ser tomada com conjunto de fatores de saúde, mas precisa ser tomada também com uma governança que envolva os 39 municípios e seja coordenada pelo governo do Estado”, disse.

Ele avaliou como positivas as medidas da gestão Bruno Covas (PSDB) desde a chegada da pandemia na cidade, e que o município conseguiu manter o isolamento social acima de 55% até o anúncio da possibilidade de flexibilização da quarentena, em meados de abril. “Aí foi que os números voltaram a cair, e o prefeito adotou três medidas: bloqueio educativo, depois bloqueio rodízio e agora o feriado”.

FERIADOS.

A Prefeitura de São Paulo decretou a antecipação dos feriados de Corpus Christi e do Dia da Consciência Negra para quarta (20) e quinta-feira (21), além de declarar ponto facultativo nas repartições públicas municipais da Administração Direta, Autarquias e Fundações na sexta-feira (22). A medida foi tomada para tentar ampliar o índice de isolamento social na cidade.

O Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi-SP), do Governo de São Paulo, mostrou que a cidade de São Paulo registrou 51% de isolamento social na última quarta-feira (20), já sob o feriado. No dia anterior, sem o feriado, esse índice estava em 48%.

“Numa cidade com 12 milhões de pessoas alcançar 50% de isolamento social significa que 6 milhões de pessoas estão deixando de andar na cidade, e isso é fundamental”, celebrou, apesar do índice mínimo esperado pela Administração ser de 55%.

O prefeito Bruno Covas (PSDB) e secretários vão se reunir na próxima terça-feira (26) para avaliar os índices do “feriadão” e decidir quais serão os próximos passos. Há a possibilidade de um lockdown ser decretado de forma conjunta entre Doria e Covas na quarta-feira (27).

“Nós estamos muito esperançosos que possamos obter bons resultados, e ao mesmo tempo estamos em um processo de contratação de leitos da rede privada, recebendo respiradores, aumentando o numero de leitos na rede pública”. O impacto total do megaferiadão poderá ser mensurado, disse ele, 15 dias após os feriados antecipados.

DENÚNCIAS DE SUPERFATURAMENTO.

Um parecer do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pede a suspensão de uma compra feita pela gestão Bruno Covas (PSDB) de 750 mil máscaras cirúrgicas para profissionais de saúde da Capital, conforme revelou o “Estadão” nesta semana. A compra, de R$ 2,85 milhões, é alvo de uma acusação de superfaturamento.

Aparecido disse que a gestão municipal faz semanalmente, com a orientação do Tribunal de Contas do Município (TCM), uma aferição dos preços do mercado mundial e do mercado nacional, estabelecendo um preço mínimo da semana, e compram os materiais abaixo desse valor.

“Nós pagamos o preço de R$ 2,80 [por cada máscara], absolutamente abaixo do preço daquela semana, que era de R$ 3,70. É uma denuncia absolutamente infundada”.

MORADORES DE RUA.

De acordo com a gestão municipal, houve 22 mortes de pessoas em situação de rua na cidade desde o início da pandemia. Questionado sobre as ações para a proteção desse público, Aparecido disse que o programa Consultório de Rua tem realizado um papel importante.

O Consultório de Rua é um programa de saúde à população de rua, com busca ativa a esses moradores e encaminhamento a unidades de saúde em caso de necessidade. O secretário também afirmou que foram distribuídos, até agora, 20 mil kits de higiene pessoal.

Além disso, ele explicou sobre os nove centros de isolamento domiciliar voltados aos moradores de rua infectados pela Covid-19. “Há equipamentos só para mulheres e crianças e outro para homens, em um trabalho conjunto entre as secretarias da Saúde, da Assistência Social e dos Direitos Humanos”.

HOSPITAIS DE CAMPANHA.

O boletim epidemiológico mais recente da Prefeitura de São Paulo revela que houve 22 mortes nos hospitais de campanha da Capital, sendo 18 apenas no Complexo do Anhembi, na zona norte.

A estrutura do Anhembi recebe pacientes que estão entrando na doença, enquanto o hospital de campanha do Pacaembu é voltado a pacientes que já passaram pela UTI e precisam de alguns dias ainda para se recuperarem totalmente. Esses fatores são as razões do alto número de mortes no Anhembi, explicou o secretário.

“As pessoas entram nas condições adequadas no hospital de campanha, mas sobretudo as que tem comorbidade acabam se agravando muito rapidamente. Têm relatos de hospitais normais nossos que as pessoas chegam andando de manhã e a noite está entubada. A doença é muito agressiva”, explicou Aparecido.

Para ele, mesmo com as 22 mortes, a avaliação desses hospitais é muito positiva. “Nós salvamos 3.400 pessoas que já passaram pelos hospitais de campanha. Imagina 3.400 batendo na porta dos nossos hospitais normais. Seguramente o sistema de saúde já teria ido a colapso há muito mais tempo.

A cidade tem quatro hospitais de campanha: no complexo do Anhembi, no complexo esportivo do Ibirapuera, no estádio do Pacaembu e na favela de Heliópolis – esse último inaugurado na última quarta-feira (20).

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