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Sem pastel e abraços,

ELEIÇÕES 2020. Com a crise sanitária provocada pelo novo coronavírus, os candidatos precisarão dar atenção ainda maior à tecnologia para conquistar o voto dos eleitores

As eleições municipais de 2020 sofrerão alterações inéditas devido à crise sanitária, principalmente no calendário, nas campanhas e no comportamento do eleitor na hora de decidir quem vai gerir as cidades no pós-pandemia.

A primeira mudança de impacto foi em relação à transferência do primeiro turno para 15 de novembro e a do segundo para 29 de novembro. A campanha eleitoral se iniciará em 26 de setembro, quando os candidatos poderão passar a pedir votos.

É improvável, porém, que esse convencimento pela preferência do povo produza as cenas clássicas do candidato em feiras públicas abraçando correligionários, beijando crianças e comendo pastel ao mesmo tempo.

"O forte da ação política ficou focado nas redes sociais. O candidato que não conseguir trabalhar estratégia de divulgação e conteúdo nas redes sociais vai perder terreno" , analisa o publicitário João Miras, estrategista de marketing político eleitoral há quase 40 anos.

Segundo ele, a pandemia não vai mudar somente o calendário e a forma de fazer campanha, mas o comportamento do eleitor. "O sentimento do eleitor é de absoluto repúdio à classe política. Esse sentimento já existe desde a brutal crise econômica gestada pelo governo Dilma Roussef, do PT, e se acentua agora com a insensibilidade quase absoluta dos políticos que administraram mal esses isolamentos e politizaram o trauma que vai trazer consequências imprevisíveis para o processo social", explica Miras.

Em sua análise, há uma percepção da população de que as medidas restritivas desembocaram numa perda de emprego e renda. Para o publicitário, esse movimento favorece a estratégia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) - e, consequentemente, a quem ele apoiar nas cidades - e, no caso paulista, prejudica os candidatos apoiados pelo governador João Doria (PSDB).

"O governador Doria está associado aos lockdowns e fechamento do comércio no imaginário popular, e isso está comprometendo a imagem de seu governo. O governo do Estado comunica muito mal e está perdendo a batalha da comunicação". Na sua avaliação, "se Bolsonaro acertar a mão, pode até fazer o prefeito de São Paulo".

Na Capital, porém, analisa Miras, o prefeito Bruno Covas (PSDB) não deve ser tão prejudicado por ter "luz própria e trajetória política muito bem construída, com atributos pessoais, inclusive, mais destacados que os atributos
administrativos".

De acordo com apuração da Gazeta, os pré-candidatos na cidade de São Paulo deverão ser Bruno Covas (PSDB), Guilherme Boulos (Psol), Jilmar Tatto (PT), José Luiz Datena ou Paulo Skaf (MDB), Celso Russomano (Republicanos), Joice Hasselmann (PSL), Filipe Sabará (Novo), Andrea Matarazzo (PSD), Arthur do Val (Patriota), Orlando Silva (PCdoB), Marta Suplicy (Solidariedade) e Márcio França (PSB). (Bruno Hoffmann)

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