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Batizado oficialmente como Elevado João Goulart, o Minhocão corta os distritos da Consolação, Santa Cecília, Barra Funda e Perdizes
Batizado oficialmente como Elevado João Goulart, o Minhocão corta os distritos da Consolação, Santa Cecília, Barra Funda e Perdizes
Foto: Bruno Fernandes/Fotoarena/Folhapress

Futuro do Minhocão será decidido em plebiscito

População poderá decidir se a estrutura se tornará um parque em toda a sua extensão, um parque parcial ou se será desmontada

A epopeia do Minhocão ganhou mais um capítulo neste mês. A Câmara Municipal de São Paulo aprovou o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que prevê um plebiscito para o povo decidir o destino do viaduto batizado oficialmente como Elevado João Goulart, a estrutura de 3,4 quilômetros de extensão que corta os distritos da Consolação, Santa Cecília, Barra Funda e Perdizes.

O projeto do vereador Caio Miranda Carneiro (DEM) prevê três opções para a população: transformar a estrutura em um parque em toda sua extensão, em um parque parcial ou ser desmontada. A opção de manter o tráfego para veículos, como é atualmente, não foi incluída porque o Plano Diretor da cidade, aprovado em 2014 durante a gestão de Fernando Haddad (PT), prevê que a circulação de automóveis deve inexistir no local até 2029.

Há um movimento pela criação de um parque público. Além de Haddad, o atual prefeito Bruno Covas (PSDB) também anunciou a intenção de transformar parte do local em um parque linear, porém as obras ainda não se iniciaram – e agora, não devem começar até o resultado do plebiscito.

O autor do projeto tem uma luta há anos para que a estrutura seja desmontada, com a readequação das vias e praças. “É possível requalificar aquele lugar com o desmonte, e então criar um boulevard com uma ciclovia legal , arborizada no meio, com corredor. E ainda existem três praças na região que estão soterradas: a Marechal Deodoro, Santa Cecília e o Largo do Arouche, que está desconectado. Se desmontar, se arboriza pelo chão e se conecta com ciclovias, e a cidade ainda ganha um espaço novo”, defende Caio.

De acordo com ele, “é uma fake news” o senso-comum de que o trânsito aumentaria na região sem o Minhocão. “Ele desafoga o trânsito para uma minoria que cruza de Perdizes para o centro, e fora do horário de pico. No horário de pico, trava”.

O projeto para a realização do plebiscito só teve um voto contrário, do vereador José Police Neto (PSD). Questionado pela reportagem por que foi o único entre os 55 vereadores a não concordar com a proposta, Police Neto afirmou que o povo já assumiu o local como parque de forma espontânea e disse considerar a consulta “marqueteira”. “Sem consumir um único centavo público, a população nos últimos anos transformou o elevado em parque, o quinto mais visitado. Colocar isso em risco para ter mídia no processo eleitoral chega a ser criminoso”, disse.

A data para a votação não está definida, e há uma possibilidade de que ocorra no primeiro turno das eleições municipais deste ano. De qualquer forma, está decidido que a palavra final do futuro do local será do povo. “É muito melhor do que um secretário em um gabinete tomando essa decisão e enfiando goela abaixo”, finaliza Caio.

Elevado tem uma história polêmica

O Minhocão foi inaugurado em 1971, na gestão do então prefeito Paulo Maluf, e foi decisivo em um primeiro momento para desafogar o trânsito entre o centro e a zona oeste da Capital. Ao mesmo tempo, representou uma instantânea deterioração dos edifícios do seu entorno, então bairros considerados elegantes da cidade de São Paulo. Em 1976, o trânsito noturno foi proibido, e em 1990, o trânsito aos domingos e feriados também foi vetado.

Macaque in the trees
Arte: Gazeta de S.Paulo

Em 1993, a prefeita Luiza Erundina (então no PT, hoje no Psol) defendeu a derrubada da estrutura. Desde então, diversas propostas foram apresentadas por urbanistas para dar um fim diferente ao elevado, mas só em 2014 o fim do tráfego para carros foi definido no Plano Diretor de São Paulo.

Caso ocorra, o plebiscito para definir o futuro do Minhocão será o primeiro desde 1985, quando a população decidiu pela manutenção de Santo Amaro como parte da Capital. 

 

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