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Faria Lima, a avenida do 1% do PIB
Faria Lima, a avenida do 1% do PIB
Foto: ETTORE CHIEREGUINI/GAZETA DE S.PAULO

Memória: Faria Lima, como surgiu o principal centro financeiro do Brasil

A avenida que abriga startups e empresas do mercado financeiro já foi uma área de várzea do rio Pinheiros

Quem passa pela avenida Faria Lima, especialmente no trecho do bairro Itaim Bibi, onde ficam os famosos prédios espelhados, que abrigam startups de tecnologia e empresas do setor financeiro, não imagina que a via já foi uma área de várzea do rio Pinheiros.

“Há 110 anos, a cidade chegava apenas até a região da Paulista, o que passava dali, em direção ao rio Pinheiros, era considerado longe. Além disso, o Pinheiros era cheio de curvas e, na época das cheias, ele enchia e a região alagava”, conta José Geraldo Simões Júnior, professor de arquitetura e urbanismo e coordenador da pós-graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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Os primeiros contornos da nova avenida Faria Lima, entre a avenida Cidade Jardim e a rua Tabapuã, em 1995 - EVELSON DE FREITAS/FOLHAPRESS

Foi na década de 1940 que a história da Faria Lima começou a mudar, com a canalização dos córregos que passavam pela região. Anos depois, na década de 1960, o Brasil ganhou seu primeiro shopping center, no Rio de Janeiro, o que inspirou um construtor paulista a trazer a novidade para São Paulo, nascia ali o Shopping Iguatemi, que ganhou esse nome porque ficava na rua Iguatemi, mais tarde incorporada à Faria Lima.

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Fundado em 1966, shopping Iguatemi foi o primeiro de São Paulo e ajudou a alavancar a região - ETTORE CHIEREGUINI/GAZETA DE S.PAULO

Ainda nos anos 1960, o então prefeito de São Paulo, José Vicente Faria Lima, resolveu alargar a rua Iguatemi, entre o Largo da Batata e a avenida Cidade Jardim, a obra seria batizada de Radial Oeste, porém com a morte do político, ela ganhou o nome de Faria Lima. “O shopping Iguatemi alavancou a região e depois que a área foi alargada passou a se valorizar muito”, ressalta Simões Júnior.

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O boom dos escritórios
São Paulo passou por uma série de mudanças em suas áreas de escritórios. Primeiramente, o centro financeiro da Capital se concentrava na região central, depois foi a Avenida Paulista, que passou a atrair empresas e engravatados.

Na década de 1970, a Faria Lima começou a se verticalizar e chamar a atenção dos escritórios. Porém , os edifícios eram muito diferentes dos que representam a avenida atualmente. Apelidada de “Nova Paulista”, os prédios da época abrigavam escritórios nos andares e comércio no térreo.

Nos anos 1980, os escritórios passaram a ocupar a avenida Luís Carlos Berrini. Contudo, a Faria Lima voltaria chamar a atenção na década seguinte, quando o prefeito Paulo Maluf promoveu a extensão da avenida, fazendo com que ela ultrapassasse o Largo da Batata, de um lado, e à avenida Hélio Pellegrino, no outro.

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Símbolo da chamada Nova Faria Lima, o Edifício Pátio Victor Malzoni abriga a Casa Bandeirista, que deu origem ao bairro do Itaim, e empresas famosas, como o Google - ETTORE CHIEREGUINI/GAZETA DE S.PAULO

A operação, chamada de Urbano Faria Lima, captou recursos de investimentos para a infraestrutura local. Assim, os prédios espelhados, que recebem hoje os investidores e empresas chamados de 1% do PIB (Produto Interno Bruto), ganhavam os primeiros contornos. “As construções da chamada ‘Nova Faria Lima’ são marcadas por novos materiais e têm como características uma outra forma de ocupação, com empresas abrigando um prédio inteiro, ou vários andares e sem comércio no térreo”, explica o professor.

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O metrô chegou à Faria Lima em 2010 - ETTORE CHIEREGUINI/GAZETA DE S.PAULO

Vocação para inovar
Além da chegada das empresas de tecnologia, como o Google e o Facebook, e de empresas do ramo financeiro, como a XP Investimentos, a partir dos anos 2000, a Faria Lima ganhou, entre outras coisas, uma estação de metrô, em 2010, e uma ciclovia, que, até a chegada do novo coronavírus, era uma das mais utilizadas da cidade durante a semana.

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Em dezembro de 2020, foi inaugurado o primeiro prédio multipisos com estrutura de madeira do Brasil. No local funciona a Loja Dengo de chocolates premium - ETTORE CHIEREGUINI/GAZETA DE S.PAULO

Com a pandemia, a avenida, ao menos a parte mais nova, ficou vazia, visto que vários trabalhadores passaram a fazer home office. Porém, a Faria Lima segue com a vocação de inovar. Em dezembro do ano passado, a avenida recebeu o primeiro prédio multipisos com estrutura de madeira do Brasil, que abriga a loja conceito de uma marca de chocolates premium.

Para o futuro, Simões Júnior acredita que a avenida irá se reinventar, com a descompressão de escritórios e recebendo uma parcela de profissionais que não querem ou não podem trabalhar de casa. “O modelo de trabalho pós pandemia será híbrido e haverá a necessidade dos escritórios receberem menos pessoas, porém com mais espaço. Acredito que a Faria Lima irá seguir a tendência, com os prédios apostando em estações de trabalho mais espaçadas, muita iluminação e ventilação natural e ambientes mais agradáveis”, finaliza.

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