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Segundo maior parque urbano da cidade de São Paulo, Parque do Carmo é a principal área verde da região da zona leste
Segundo maior parque urbano da cidade de São Paulo, Parque do Carmo é a principal área verde da região da zona leste
Foto: Peter Leone/Folhapress

Memória: de fazenda à área de lazer, os 45 anos do Parque do Carmo

Segundo maior parque urbano da cidade de São Paulo, Parque do Carmo é a principal área verde da zona leste

Há 45 anos, no dia 19 de setembro de 1976, a zona leste, uma das áreas mais populosas da cidade de São Paulo, ganhava a sua principal área verde: o Parque do Carmo. Idealizado pelo então prefeito da capital paulista, o engenheiro industrial, banqueiro e político Olavo Egydio Setúbal.

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, o parque surgiu para frear a ocupação desordenada da região e preservar a vegetação de Mata Atlântica. Contudo, a história do espaço começa bem antes, quando a área ainda era ocupada pelas tribos indígenas Itaquerus, Guaianás e Caaguaçus e com a chegada da Ordem Terceira do Carmo Fluminense, ou Ordem Carmelita, em 1722, para catequizar os indígenas.

Não se sabe ao certo por quanto tempo a Ordem ficou no local, mas uma das providências tomada pela entidade foi transformar a área na "Fazenda Caaguaçu", devastando uma boa parte da mata nativa para favorecer a exploração agrícola e a criação de gado, atividades que perduraram quando a fazenda foi adquirida em 1919 para a Companhia Pastoril e Agrícola.

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A Festa das Cerejeiras acontece todos os anos no Parque do Carmo - Aglécio Dias/Código19/Folhapress

Fazenda do Carmo
A Companhia Pastoril e Agrícola pertencia ao coronel Bento Pires, que continuou com a criação de gado e passou a plantar café nas novas terras. Alguns anos depois, Pires começou a lotear a região e o que sobrou da área original foi rebatizada de “Fazenda do Carmo”.

Na história, o coronel também ficou conhecido por ser um grande incentivador da colonização japonesa na região, visto que ele queria desenvolver a agricultura especializada naquele espaço da cidade. Para o parque, a iniciativa acabou resultando no Bosque das Cerejeiras, que é a terceira maior área com a árvore fora do Japão.

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Todos os anos, o parque sedia a Festa das Cerejeiras, que comemora o florir da árvore-símbolo japonesa e atrai milhares de pessoas de todos os cantos da Capital. Na época, é comum ver a comunidade nipônica da região praticando o “hanami”, um ritual que consiste em sentar-se sob as cerejeiras e contemplá-las por um longo período.

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Lago Parque do Carmo, em 1984 - José Nascimento/Folhapress

Os primeiros contornos
O Parque do Carmo começa a ganhar os seus primeiros contornos na década de 1940, quando a revolução industrial desvaloriza o café e o coronel Bento Pires vende parte de suas terras ao engenheiro da construção civil da Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO), Oscar Americano de Caldas Filho.

Por meio da CBPO, o engenheiro loteou uma parte das terras e a outra transformou em uma espécie de casa de campo, uma área de lazer onde ele passava os finais de semana com a família.

Para deixar o lugar mais acolhedor, Oscar fez algumas reformas. Entre elas, construiu uma casa para receber os hóspedes, que hoje é a sede administrativa do Parque, e represou o córrego principal, construindo um lago artificial para praticar esportes, uma das principais atrações do local atualmente.

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No Parque, há cerca de 193 espécies de fauna, sendo 164 vertebrados e 29 invertebrados - Ettore Chiereguini/Gazeta de S.Paulo

O Parque
Oscar Americano faleceu em 1974 e seus herdeiros decidiram vender a ‘casa de campo’ da família. A maior parte ficou com a Cohab e a outra com a Prefeitura, transformando-se, dois anos depois, no Parque Do Carmo, que mais tarde, em 2012, passaria a se chamar Parque Olavo Egydio Setúbal.

Atualmente, a área do Parque do Carmo é de 2.388.930 m² (1.549.630 m² de parque urbano e 839.300 m² de área de expansão), o que o coloca, segundo informações da Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA), como o segundo maior parque da cidade, atrás apenas do Parque Anhanguera.

No local, há cerca de 193 espécies de fauna, sendo 164 vertebrados e 29 invertebrados, destacando-se 25 espécies de borboletas e oito mamíferos, como veado-catingueiro, preguiça-de-três-dedos, tatu, ouriço-cacheiro e caxinguelê.

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O Planetário Prof. Acácio Riberi é tido como o melhor da América do Sul e um dos mais modernos do mundo - Robson Ventura/Folhapress

No que diz respeito à infraestrutura, o Parque conta com monjolo, lagos, estacionamento, anfiteatro natural, aparelhos de ginástica, campos de futebol, ciclovia, pista de Cooper, playgrounds, quiosques, churrasqueiras, gramado para piquenique, sanitários e redário. Além disso, há também um Museu do Meio Ambiente, um viveiro, e o Planetário Prof. Acácio Riberi, que é tido como o melhor da América do Sul e um dos mais modernos do mundo, “capaz de projetar 9,1 mil estrelas, os planetas do sistema solar, a Via Láctea e outras galáxias", diz a SVMA.

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Em janeiro de 2021, o Parque do Carmo ganhou um memorial que homenageia as vítimas do novo coronavírus - Ettore Chiereguini/Gazeta de S.Paulo

Memorial às Vítimas da Covid-19
No início deste ano, no dia do aniversário da cidade de São Paulo, em 25 de janeiro, o Parque do Carmo ganhou um memorial que homenageia as vítimas do novo coronavírus.

No local foram plantadas várias árvores e inaugurado um monumento em memória às vítimas. “A escultura criada para homenagear as vítimas da pandemia de coronavírus foi idealizada em parceria com promotores de justiça para resgatar a consciência e a necessidade de cuidarmos do meio ambiente, além de fomentarmos a solidariedade nas relações sociais.”, disse, por meio de nota, a Prefeitura de São Paulo.

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