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Nas empresas menores, que rodam principalmente na periferia, há linhas que iniciam a operação com um terço a menos de condutores
Nas empresas menores, que rodam principalmente na periferia, há linhas que iniciam a operação com um terço a menos de condutores
Foto: Roberto Parizotti/Fotos Públicas

Um terço dos motorista de ônibus da capital foram afastados por Covid ou gripe

Sindicato que representa as empresas de transporte coletivo da cidade afirma nunca ter visto situação parecida com a atual

A Covid-19 e a Influenza têm provocado um número de afastamentos de motoristas e cobradores inédito no transporte público paulistano. Nas grandes empresas, a média de afastamentos chega a 8% do total do quadro de profissionais. Já nas menores, que circulam principalmente na periferia de São Paulo, há registro de linhas que iniciam a operação com um terço a menos de condutores.

Presidente do SPUrbanuss (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo), Francisco Christovam trabalhou a vida inteira no setor, em cargos como as presidências da extinta CMTC e da SPTrans e nunca viu uma situação como a atual.

O SPUrbanuss estima que o número de atestados apresentados por motoristas e cobradores represente, na média, 8% e 8,3% do total de profissionais, respectivamente.

As 13 empresas associadas ao SPUrbanuss operam com 6.200 ônibus diariamente e empregam 13.900 motoristas e igual número de cobradores.

Apesar do momento incomum, Christovam afirma que a operação não foi prejudicada até o momento. "As empresas cancelaram as férias e, quando necessário, aumentaram a jornada de motoristas e cobradores, com pagamento de horas-extras", explica.

Segundo o representante do sindicato das maiores empresas da capital, o fato de estarmos em janeiro também colabora para evitar uma situação crítica. "Estamos em um período de férias escolares, então a demanda é um pouco menor que a usual", afirma.

O presidente da SPUrbanuss afirma que, em dezembro, a demanda de passageiros foi de 75%, na comparação com o período anterior à pandemia. Porém, segundo Christovam, a frota tem circulado com 92% do total de ônibus. Ou seja, os números do sindicato indicariam que os ônibus estão mais vazios que no pré-Covid. "Em alguns lugares da periferia, é oferta plena", diz.

Em agosto, o jornal Folha de S.Paulo mostrou que a retomada se deu de forma desigual na capital, com grandes linhas estruturais lotadas e outras que circulam pela região central, vazias.

A situação entre as 11 empresas que operam no sub-sistema de distribuição (as antigas cooperativas) também é incomum, segundo Nivaldo Azevedo, assessor especial da Urbi-SP (entidade que representa esse setor). O número de atestados tem aumentado e, em dezembro, chegou a 4.508, para um quado de 18 mil funcionários no total. Até novembro, não passava de 3.200.

Segundo Azevedo, uma das linhas que opera com 44 ônibus na zona sul da capital paulista iniciou o dia na terça-feira (11) com 14 motoristas afastados. "Não sabemos se amanhã ou depois teremos mais pessoas afastadas", diz.
O assessor especial da Urbi-SP conta que os números de afastamentos de janeiro serão consolidados no início do próximo mês, mas que já é possível notar uma curva ascendente nas consultas às garagens. "Com certeza, vai superar e muito. A tendência é que seja maior do que em dezembro. Houve um aumento considerável", diz.

As empresas associadas à Urbi-SP trabalham com uma reserva técnica de 8% do pessoal, o que, segundo Azevedo, já é pouco perto da necessidade em situações normais, mas é o que o contrato permite, do ponto de vista financeiro. A queda no número de passageiros ao longo dos últimos anos e a crise que afeta o transporte público nas grandes cidades, associada aos transtornos causados pela Covid-19, são outros problemas que têm enfrentado.

Questionada sobre os afastamentos, a a SPTrans disse que os empregados das concessionárias não são seus funcionários e que as informações sobre afastamentos deveriam ser obtidas diretamente com as empresas.

Vinculada à prefeitura, sob a gestão de Ricardo Nunes (MDB), a SPTrans disse que a frota de ônibus está operando "conforme o programado". "Desde o início da pandemia, a SPTrans adotou uma série de medidas preventivas em relação à Covid-19, como a obrigatoriedade do uso de máscaras em ônibus e terminais", afirmou. "Além disso, os motoristas de ônibus foram colocados no grupo prioritário da campanha de vacinação contra a Covid-19", completou.

Segundo a SPTrans, ações de orientação e conscientização sobre cuidados e higiene pessoal continuam sendo realizadas com todos os operadores, por meio das concessionárias.

Período -          Motoristas - Cobradores - Manutenção - Administração - Total
13/12 a 19/12 - 1.150 -        1.164 -           349 -               114 -         2.777
20/12 a 26/12 - 1.264 -        1.308 -           410 -               147 -         3.129
27/12 a 02/01 - 1.180 -        1.223 -           329 -               142 -         2.874
03/01 a 09/01 - 873 -              951 -           209 -                67 -          2.100

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