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Novas regras na Celso Garcia causa trânsito

Desde então é comum observar condutores cometendo infrações, perdidos ou irritados com o trânsito que tomou conta da região no final da tarde. A Gazeta de S.Paulo esteve no local e ouviu quem passa diariamente por lá criticar as mudanças. Por Marcelo Tomaz De São Paulo

As alterações viárias promovidas pela gestão Bruno Covas (PSDB) na avenida Celso Garcia, uma das mais importantes ligações da zona leste com o centro de São Paulo, vêm dando dor de cabeça em moradores e comerciantes do distrito do Tatuapé.

Antes, o corredor, que tem 6,7 km de extensão entre o largo da Concórdia e a avenida Airton Petrini, possuía três faixas no sentido bairro e uma faixa exclusiva para ônibus no sentido centro. Isso mudou no dia 21 de julho, quando a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) substituiu uma das faixas sentido bairro por uma sentido centro e alterou mãos das ruas de acesso, afirmando que o objetivo era aumentar a segurança dos pedestres.

Desde então é comum observar condutores cometendo infrações, perdidos ou irritados com o trânsito que tomou conta da região no final da tarde. A Gazeta de S.Paulo esteve no local e ouviu quem passa diariamente por lá criticar as mudanças.

“Ficou pior. O trânsito aqui era bom, mas agora eles complicaram os dois lados, tanto para quem vai sentido bairro como o contrário. Não entendo o porquê dessa mudança”, afirma o comerciante Júlio César Piotto, 69, que trabalha na avenida Celso Garcia há mais de 25 anos.

Entre os moradores do bairro corre o boato de que as alterações foram feitas para facilitar o acesso de fiéis às igrejas da região. “Templo é dinheiro”, brinca Júlio, em referência ao Templo de Salomão, sede da Igreja Universal do Reino de Deus.

Os arredores, além de contar com um famoso centro de compras, são endereço de um parque estadual, de uma maternidade pública e de diversos condomínios. O bairro vem recebendo forte pressão imobiliária, com a construção de novos prédios.

“Não sei se aqui o problema é eleitoral, mas há muitos anos essas mudanças foram testadas e não deram resultado nenhum. Não é viável, porque você desafoga um lado e transfere o trânsito para uma via que não o comporta. Nota 0”, reclama Célio Marcos Piotto, 66, sócio do irmão em um comércio de papéis e embalagens.

“Não existe infraestrutura para absorver esse fluxo de veículos dos dois lados na Celso Garcia. Caminhos que você fazia em 5 ou 10 minutos, agora levam mais de meia hora”, expõe o Piotto mais velho. “Todos foram unânimes em dizer que está horrível, não é?”, questiona a reportagem.

Uma pedra no caminho.

Aposentada da Prefeitura de São Paulo desde que seu marido faleceu há 17 anos, Maria Helena Frigolhetti, 75, toca ao lado do filho o negócio da família, um despachante na rua Almirante Calheiros.

Ela relata que, a partir das 16h, a Celso Garcia fica intransitável. Moradora do Parque São Jorge, distante cerca de 2 km – cerca de 10 minutos de carro – de onde trabalha, dona Maria não usa mais a avenida ao voltar para casa. “Agora vou embora pela marginal, que é quase o dobro do caminho, por causa do trânsito. Alguns colegas me disseram que o movimento até diminuiu”, conta.

“Isso não existia antes. Era aquele trânsito da manhã, mas agora é trânsito todo o dia. Estou tendo dificuldades em ir para casa. Queria entender o que a engenharia de tráfego pensou para fazer isso. Arrebentaram o Tatuapé inteiro aqui”, desabafa Valter Frederico Engrich, 66, morador do Jardim Anália Franco, ao reclamar do trânsito constante que vem travando a rua Henrique Sertório.

Confusão e insegurança.

Entre os motoristas, muita confusão. Quem estava acostumado a virar à esquerda da rua Ulisses Cruz, por exemplo, agora é obrigado a fazer o retorno antes. Caso contrário, terá que ir até a avenida Salim Farah Maluf e acessar novamente a Celso Garcia para, enfim, entrar na Ulisses Cruz.

A sinalização e a presença constante de agentes da CET – pelo menos 20 frequentaram a região na semana em que as mudanças passaram a valer e muitos ainda permanecem no local – não impedem que os condutores cometam infrações.

Impacientes, muitos motoristas trafegam no corredor de ônibus sentido bairro, que funciona de segunda a sexta-feira, das 16h às 20h. Por conta das mudanças de mão em algumas vias próximas, não são raros carros bloqueando cruzamentos e fechando a passagem dos ônibus na faixa exclusiva. Motos trafegam na contramão constantemente.

Outro lado.

A CET defende que a mudança aumentou a segurança na avenida Celso Garcia. Em nota, a companhia afirma que um pedestre distraído poderia pensar que a via tem fluxo apenas para um dos lados, sem prestar atenção na faixa de ônibus no sentido contrário. O sistema viário que foi substituído existia desde os anos 1970. Confira na íntegra o
posicionamento:

“Para permitir uma travessia mais segura para os pedestres, a CET aumentou 20%, em média, o tempo dos cruzamentos semafóricos na Celso Garcia. A medida também ampliou os ciclos semafóricos, que é quantas vezes o semáforo fecha para os carros e abre para o pedestre atravessar.

Os usuários ganharam novas opções de travessias com a implantação de nove novos cruzamentos semaforizados.

Antes da mudança, o corredor possuía 37 botoeiras para pedestres e, hoje, conta com 119. O número de travessias com grupo focal específico para pedestres subiu de 50 para 90.

A implantação de mão dupla de circulação no corredor está sendo acompanhada diariamente pelas equipes de campo da CET e por técnicos da SPTrans. O comportamento do tráfego na via também está sendo verificado por meio de câmeras de monitoramento que foram revitalizadas.

Desde o início da mudança, equipes da SPTrans fazem aferições diárias da velocidade média dos coletivos. Vale destacar que a circulação dos coletivos por faixa exclusiva à direita foi mantida, em ambos os sentidos.

Os dados coletados nessas três semanas mostram aumento, desde o início da operação, da velocidade dos ônibus. De acordo com a necessidade, ajustes pontuais poderão ser feitos para aprimorar e manter as condições de trânsito e a segurança dos usuários da via.

Como em qualquer mudança, é necessário tempo para que a população se acostume. Rever um sistema de circulação implantado na década de 1970, quando as condições de tráfego da cidade eram diferentes, faz parte de uma política de segurança viária”.

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