Desde que Emerson Fittipaldi cruzou o Atlântico para desbravar as pistas norte-americanas, a história da Fórmula INDY foi escrita com sotaque brasileiro. Nomes como Raul Boesel, Christian Fittipaldi, Maurício Gugelmin, Felipe Giaffone, Rubens Barrichello, Bia Figueiredo pavimentaram o caminho para glórias.
Gigantes como Emerson, Tony Kanaan, os saudosos Gil de Ferran e André Ribeiro, assim como, o “Homem-Aranha” Hélio Castroneves — quatro vezes vencedor da Indy 500 — provaram que o Brasil não apenas participa, mas também domina.
Em 2026, o cenário ganha contornos de um novo épico. O país, que sempre teve representantes prontos para o pódio, vê em Caio Collet a chama capaz de reiniciar esse ciclo virtuoso.
Aos 23 anos, o paulista não é apenas um estreante no grid; será que ele é o herdeiro de uma linhagem de campeões? Poderá ele assumir a responsabilidade de manter viva a conexão profunda entre o automobilismo nacional e a velocidade pura dos Estados Unidos?
A chegada de Collet à categoria principal não é fruto do acaso, mas sim de uma trajetória construída com a precisão de um cronômetro.
Desde a terceira colocação no Mundial de Kart em 2015, Caio demonstrou que o talento era acompanhado de maturidade precoce. O título da Fórmula 4 Francesa em 2018, com impressionantes sete vitórias, foi o passaporte para a Renault Sport Academy e o início de uma formação de elite na Europa.
Sua passagem pela FIA Fórmula 3 e pela Fórmula Renault Eurocup consolidou sua imagem como um piloto técnico e resiliente. Vencer em templos do automobilismo como Hungaroring, Zandvoort e a mística Spa-Francorchamps exige mais do que velocidade; exige nervos de aço.
Mesmo quando a rota para a Fórmula 1 se mostrou estreita, Collet demonstrou a versatilidade dos grandes: brilhou como reserva na Fórmula E e teve a coragem de cruzar o oceano para se reinventar.
A aposta nos Estados Unidos poderá ter-se revelado um movimento de mestre. Na categoria de acesso, a Indy NXT, Collet não apenas se adaptou; ele dominou as nuances do automobilismo americano
. Eleito Rookie of the Year em sua estreia e vice-campeão em 2025, ele provou que os circuitos ovais e de rua, bem como os mistos permanentes, fazem parte do seu DNA. Agora terá que amadurecer a agressividade e apurar sua visão estratégica para chegar ao topo nos EUA.
Esse sucesso será o selo definitivo de que o jovem brasileiro está pronto para o próximo — e maior — desafio de sua vida: vencer na Fórmula INDY.
Entrar na NTT INDYCAR Series já é uma tarefa monumental, mas fazê-lo pela equipe do lendário AJ Foyt eleva o patamar da narrativa. Foyt é o primeiro tetracampeão das 500 Milhas de Indianápolis e vencedor das 24 Horas de Le Mans, uma figura mítica cujas cores carregam o peso da tradição.
Para Collet, essa é a oportunidade de ouro: unir a energia e a técnica da juventude ao conhecimento de uma estrutura que respira história.
O projeto conta ainda com o apoio vital da Combitrans Amazônia, reforçando que o talento de Caio está ancorado em raízes brasileiras. Em um esporte cada vez mais globalizado, ver uma parceria nacional impulsionando um piloto rumo ao topo é motivo de orgulho e esperança para os fãs que sentiam falta dessa sinergia.
O grid de 2026 é um campo de batalha implacável. Collet enfrentará veteranos tarimbados como o australiano Will Power, o espanhol Alex Palou, o veterano neozelandês Scott Dixon, o vencedor da INDY 500 Josef Newgarden, a jovem promessa mexicana Pato O’Ward, entre outros, assim como o desafio de domar máquinas de mais de 700 cavalos em ovais de altíssima velocidade e em traçados urbanos sem margem de erro.
Como o único brasileiro no grid titular, a pressão é real, mas o potencial é ainda maior.
Embora o foco esteja na renovação, o coração brasileiro ainda bate forte por Helio Castroneves, que segue na busca incessante pela quinta vitória histórica em Indianápolis.
No entanto, é nos ombros de Caio Collet que repousa a expectativa de longo prazo. Ele tem a técnica, o apoio de uma equipe histórica e, acima de tudo, a fome de vitória necessária para reacender a paixão nacional pela INDYCAR.
O desafio está lançado. A bandeira verde está prestes a subir. Para Caio Collet, 2026 não é apenas o ano de sua estreia; é o começo da jornada rumo a se tornar o próximo grande ídolo brasileiro nas pistas mais rápidas do mundo. Acelera Caio!
