O drift surgiu no Japão, nas estradas sinuosas de montanha conhecidas como touge. Jovens pilotos buscavam uma forma mais rápida e fluida de contornar curvas fechadas, mantendo o carro em sobre-esterço controlado, priorizando velocidade de saída e controle.
Um dos grandes nomes dessa fase foi Kunimitsu Takahashi, ex-piloto de motociclismo e turismo japonês. Ele começou a entrar de lado nas curvas para manter alta velocidade, inspirando toda uma geração.
Nos anos 1980, o drift se consolidou na cultura underground japonesa. O nome mais emblemático desse período é Keiichi Tsuchiya, conhecido como o “Drift King”. A profissionalização do drift aconteceu oficialmente em 2000, com a criação do D1 Grand Prix (D1GP) por Keiichi Tsuchiya, Daijiro Inada (Option Magazine) e parceiros.
Já no Brasil o drifting desembarcou pela porta do entretenimento. Não foi pelas pistas, tampouco pelas federações. Veio do cinema. Em 2006, Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio apresentou ao grande público um tipo de automobilismo distante da lógica tradicional da velocidade pura. O que se via na tela era controle, estética e excesso calculado.
O impacto foi imediato. Jovens entusiastas passaram a enxergar o carro como extensão do piloto, não apenas como máquina de corrida. Curvas feitas de lado, pneus em fumaça e motores no limite criaram uma nova linguagem visual. O drifting passou a ser associado à habilidade, não ao cronômetro.
No Brasil, esse fascínio encontrou terreno fértil. A cena automotiva já tinha forte ligação com personalização e encontros informais. O drift se encaixou como expressão técnica e cultural. No início, ocupou espaços improvisados, longe dos holofotes e da estrutura oficial do automobilismo.
Com o tempo, a prática amadureceu. Pilotos passaram a investir em carros específicos, com tração traseira, ângulo de esterço ampliado e motores preparados. Eventos migraram para autódromos. A informalidade deu lugar a regulamentos, juízes e critérios claros de avaliação.
No Brasil, a criatividade na preparação mecânica e o custo relativamente menor em comparação a outras categorias facilitaram a expansão da modalidade. Foto: Divulgação. Diferentemente das corridas tradicionais, o drifting é julgado por desempenho subjetivo, ainda que técnico. Ângulo, linha, velocidade de entrada e proximidade são os principais parâmetros. Não vence quem chega primeiro, mas quem executa melhor. Essa lógica aproxima o esporte de um espetáculo visual e exige precisão absoluta.
A influência japonesa, romantizada pelo cinema, ajudou a consolidar o imaginário do drift. Mas foi a adaptação local que garantiu sua sobrevivência. No Brasil, a criatividade na preparação mecânica e o custo relativamente menor em comparação a outras categorias facilitaram a expansão da modalidade.
Hoje, o drifting brasileiro vive fase de consolidação. Competições oficiais, categorias bem definidas e maior preocupação com segurança indicam que o esporte deixou a margem. Já não é apenas exibição ou manobra radical: é competição estruturada.
O cinema abriu a porta. A técnica manteve o drift dentro. Entre a fumaça dos pneus e a precisão milimétrica, o drifting no Brasil construiu identidade própria. E provou que nem todo automobilismo se mede em segundos.
Destaque
Um dos destaques do drift no Brasil é Zaydon Murioka, de 16 anos. Filho de Zak Murioka, que competiu na Indy Racing League (IRL) em 2001, o piloto paulista vem construindo uma trajetória consistente na modalidade, com participações em eventos no Japão, Canadá, França e Brasil.
Com exibições magistrais no Drift Soukokai, maior evento de drift da América Latina, Zaydon chamou atenção de importantes marcas do mercado automotivo. Apesar da pouca idade, Zaydon demonstra maturidade técnica ao volante de um Nissan 350Z com mais de 480 cv.
O desempenho nas pistas tem ampliado sua visibilidade: o piloto soma mais de 100 mil seguidores nas redes sociais e reúne vídeos de competições e exibições em seu canal no YouTube.
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