O deputado estadual Leo Siqueira (Novo-SP) confirmou a esta coluna ter recebido em dezembro uma proposta pelo Instagram de um publicitário para, conforme suspeitou, fazer publicações nas redes sociais para defender o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e atacar o Banco Central (BC).
Os detalhes só seriam revelados após a assinatura de um termo de confidencialidade, o que nunca aconteceu.
“Quando percebi qualquer possibilidade de envolvimento com interesses privados ligados ao Banco Master, encerrei o contato imediatamente. Não recebi um centavo, não assinei contrato e não participei de nada”, garantiu Siqueira.
Há relatos que outros políticos e influenciadores receberam propostas milionárias para produzir peças a favor da instituição financeira e contra o Banco Central (BC), que chegariam a até R$ 2 milhões para três meses de postagens sobre o caso.
Ao STF, a defesa de Vorcari negou qualquer envolvimento com os ataques virtuais e se disse ser alvo de difamação.
Entenda
A Polícia Federal (PF) decidiu abrir um inquérito para apurar denúncias de influenciadores que alegam ter sido procurados para gravar conteúdos em defesa do Banco Master e contra o BC, que decretou a liquidação da instituição de Daniel Vorcaro no fim do ano passado.
A PF tem indícios de que Vorcaro foi quem ordenou diretamente ações virtuais de influenciadores para defender o Banco Master, atacar autoridades públicas e criticar jornalistas, a partir de uma análise inicial no celular apreendido do banqueiro.
Nesta semana, pelo menos dois influenciadores revelaram ter recebido propostas para difundir em seus perfis nas redes sociais que o BC havia sido precipitado ao decretar a liquidação do Master, por exemplo.
Vorcaro foi preso durante a operação Compliance Zero em 18 de novembro sob suspeita de emitir títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional. O banqueiro foi solto 10 dias depois, sob a obrigação de usar tornozeleira eletrônica.
