Conheci uma história de família com sabor de queijo

Em sua colCátia Fonseca conta como uma viagem para provar queijos na Costa Rica virou uma emocionante historia de superacao familiar

E depois de ordenhar a vaca, provar o leite, entender a fabricação e finalmente experimentar os queijos, fiquei pensando: ainda bem que Wilbert e Kattia apareceram no segundo dia daquela aula! Foto: Arquivo Pessoal

Tem lugares que a gente visita pela comida e acaba saindo de lá levando uma história.

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Foi exatamente o que aconteceu comigo no Quesos Canaán, na Costa Rica. Eu fui conhecer como eram feitos aqueles queijos artesanais e terminei completamente envolvida pela história de uma família que resolveu apostar em algo que, naquela época, parecia não fazer o menor sentido.

A queijaria fica em Canaán de Rivas, no cantão de Pérez Zeledón, uma pequena comunidade nas montanhas, próxima a San Gerardo de Rivas e ao Parque Nacional Chirripó, onde está o ponto mais alto da Costa Rica. Canaán está a cerca de 1.200 metros de altitude, cercada por muito verde, propriedades rurais e aquele clima gostoso de montanha. Só o caminho já vale o passeio.

Eu fui conhecer como eram feitos aqueles queijos artesanais e terminei completamente envolvida pela história de uma família que resolveu apostar em algo que, naquela época, parecia não fazer o menor sentido.

Mas vamos ao queijo, porque eu não fui lá só para comer, não! Coloquei a mão na massa — ou melhor, na vaca! Eu pude ordenhar, experimentar o leite ali mesmo, fresquinho, e acompanhar as etapas da produção e da maturação dos queijos. É uma experiência daquelas que fazem a gente perceber quanto trabalho existe por trás de um produto que normalmente pegamos pronto na geladeira.

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E foi aí que conheci a história da família Mata Hernández.

Por volta de 2002, eles já produziam leite na propriedade e vendiam para uma indústria da região, mas o preço pago era muito baixo. Até que apareceu uma oportunidade completamente inesperada: um suíço chamado Martin Chatagny viria à Costa Rica ensinar técnicas de produção de queijos maturados.

Wilbert Mata e sua esposa, Kattia Hernández, participaram. No primeiro dia, Martin abriu um queijo suíço que havia trazido para todos experimentarem. O cheiro era tão forte que os vizinhos convidados praticamente desistiram da ideia! No segundo dia do curso, ninguém voltou. Só Wilbert e Kattia.

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E sabem o melhor? Nem eles estavam muito convencidos!

Mesmo assim continuaram aprendendo. Martin improvisou até uma pequena caixa de maturação dentro da casa e disse que voltaria no ano seguinte para ver como estavam os queijos. Segundo o próprio Wilbert conta, eles quase entraram em pânico!

Só que aquela experiência acabou mudando a vida da família. Aos poucos foram aperfeiçoando as receitas e enfrentando outro desafio: convencer os costarriquenhos a consumir queijos maturados, algo pouco comum naquele mercado na época. O turismo da região do Chirripó ajudou a abrir as primeiras portas, e aquilo que alguns clientes chamavam de queijo “velho” ou “fedido” começou a conquistar espaço.

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Hoje, ver essa produção de perto tem um significado completamente diferente. Não é apenas queijo. É agricultura familiar, conhecimento passado de pessoa para pessoa, sustentabilidade e uma família que transformou uma dificuldade em oportunidade.

E depois de ordenhar a vaca, provar o leite, entender a fabricação e finalmente experimentar os queijos, fiquei pensando: ainda bem que Wilbert e Kattia apareceram no segundo dia daquela aula!

Porque algumas das melhores histórias começam justamente quando quase todo mundo resolve desistir.