O sonho que começou girando um globo

Sempre que alguém me pergunta de onde veio essa paixão por viajar, eu volto imediatamente para a minha infância

Sempre que alguém me pergunta de onde veio essa paixão por viajar, eu volto imediatamente para a minha infância. Foto: Divulgação

Se eu pudesse conversar com aquela menina que passava horas girando um globo terrestre, diria apenas uma coisa: continue sonhando. Foto: Arquivo pessoal

Sempre que alguém me pergunta de onde veio essa paixão por viajar, eu volto imediatamente para a minha infância.

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Lá em casa, viajar era um sonho distante. Minha família batalhava muito para colocar comida na mesa e férias em outra cidade, ou muito menos em outro País, simplesmente não faziam parte da nossa realidade, exceto quando minhas tias nos levavam à praia.

Mas isso nunca impediu a minha imaginação.

Eu tinha um globo terrestre e adorava girá-lo. Fechava os olhos, colocava o dedo em qualquer lugar e pensava: “Um dia eu vou conhecer esse lugar.” Era uma brincadeira simples, mas que alimentava um sonho enorme.

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Na adolescência, cheguei até a querer ser comissária de bordo. Não era pelo glamour da profissão. Era porque eu imaginava que seria a maneira de conhecer o mundo sem precisar ter dinheiro para isso. Hoje eu dou risada quando lembro, mas aquele desejo mostrava o quanto viajar já fazia parte de mim.

O tempo passou, vieram meus filhos, Felipe e Thiago, e a situação financeira quando eles eram pequenos ainda não permitia grandes viagens.

Então eu fazia o que estava ao meu alcance. Descobria tudo o que acontecia em São Paulo: exposições, parques, museus, eventos culturais e passeios gratuitos. Eu queria que eles entendessem desde pequenos que conhecer lugares, pessoas e costumes diferentes é uma das maiores riquezas que alguém pode ter.

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Sempre disse para eles uma frase que carrego até hoje: viajar é a única coisa que a gente compra e leva para a vida inteira.

Foi quando a televisão entrou na minha história que muita coisa começou a mudar. Aos poucos, aquele sonho da menina que girava um globo foi deixando de ser imaginação para virar realidade.

Vieram a Grécia, Portugal, Egito, Itália, Costa Rica, Chile, Peru, Canadá, Estados Unidos, Madagascar… e tantos outros destinos pelo Brasil e pelo mundo. Cada viagem trouxe paisagens lindas, claro, mas principalmente encontros, sabores, histórias, aprendizados e pessoas inesquecíveis.

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E é exatamente isso que eu quero dividir com você nesta coluna.

Ela não será apenas um espaço para mostrar lugares bonitos. Quero contar curiosidades, dividir experiências reais, indicar restaurantes que realmente me surpreenderam, mostrar pequenos segredos que descobri pelo caminho e, principalmente, ajudar você a planejar suas próprias viagens. Porque eu sei como é olhar para um destino e pensar: “Será que um dia eu consigo chegar lá?”

Se eu pudesse conversar com aquela menina que passava horas girando um globo terrestre, diria apenas uma coisa: continue sonhando. Os sonhos nem sempre acontecem no nosso tempo, mas quando a gente não desiste deles, eles encontram um jeito de acontecer.

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Espero que, toda semana, esta coluna desperte em você a mesma vontade que sempre existiu dentro de mim: descobrir que o mundo é muito maior, mais bonito e muito mais próximo do que a gente imagina.

Vamos viajar juntos?