Mães, sempre elas!

Elas transformam a sua própria busca na sua razão de viver, e se dedicam a que outras mães não passem por esse mesmo calvário

Mães mostram uma força inacreditável

Mães mostram uma força inacreditável | Phuong Ngo/Pexels

Costuma-se dizer, de mães de vários filhos, que o filho a quem mais dá atenção é “aquele que está doente, o que está desagasalhado, o que ainda não comeu, o que está longe, o que está triste…” Tendo isso em conta, o filho que “some” causa-lhe uma angústia permanente, pois nada que faça irá minimizar a dor da incerteza, e isso se reflete em tudo ao seu redor. 

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Essa mãe adoece, e quando uma mãe adoece, toda a família é atingida. Alguns casamentos se desfazem, outros filhos podem se ressentir, pois eles “estão ali”. É muito difícil compreender que o desaparecimento é um luto sem fim, não tem prazo para acabar. 

Algumas mães fazem desse luto, LUTA. Transformam a sua própria busca na sua razão de viver, e se dedicam a que outras mães não passem por esse mesmo calvário. 

Seja em tempos de Guerra, em conflitos internos, em consequência de elevada criminalidade no local que vivem, por sequestro, tráfico humano, ou acidentes em que as vítimas não são identificadas e por isso não são encontradas pelas famílias, as buscas são sempre um estandarte portado pelas mulheres das famílias dos desparecidos: esposas, filhas, algumas irmãs, mas, em sua maioria avassaladora, pelas mães. 

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No Brasil, muitas mães dos desaparecidos políticos da ditadura militar ultrapassaram os 100 anos de idade (!) sem, no entanto, obterem respostas sobre seus filhos. Nas famílias que ainda continuam a busca iniciada por suas matriarcas, quase sempre são as filhas ou irmãs que perpetuam essas histórias. 

Sejam os filhos jovens adultos ou homens feitos, adolescentes ou trabalhadores, bebês ou meninas, biológicos ou adotivos, para essas mães não há diferença: buscam com a mesma intensidade, com a mesma esperança e persistência. 

Algumas se organizam, se unem para ampliar o alcance de seu apelo às autoridades que, quase sempre, seguem o “protocolo” de lamentar e se “solidarizar”, mas muito pouco atuam, efetivamente, para mudar o estado de indiferença e descaso nos níveis mais baixos de ação, aqueles que são os primeiros a se depararem com a busca desesperada de mães que chegam nas Delegacias e raramente são acolhidas, compreendidas, ouvidas. 

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No período em que no Brasil “celebramos” nossas mães, mais que flores, presentes ou poesias, o que essas mães em particular desejam e merecem são RESPOSTAS. Atendimento humanizado, acolhida sincera, escuta respeitosa, investigações sérias, um sistema coordenado que funcione e traga alívio, seja pelo reencontro seja por descobrir o que aconteceu com seus filhos e filhas amados desparecidos. 

O Brasil é referência em marcos legais e ferramentas em relação a busca por desaparecidos, não obstante, está muito abaixo na expectativa de efetividade e eficácia na aplicação desses mesmos instrumentos, que aliás, são todos resultado de uma luta de décadas dessas mães incansáveis, e que merecem todo nosso RESPEITO.