Aliados, e não aliados, passaram a curta semana da Brasília política de olho nos cargos que poderiam passar por vacância na Esplanada dos Ministérios, mesmo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter dito que só faria reforma ministerial “caso houvesse uma catástrofe”. É que as coisas no Congresso Nacional não andam nada boas, principalmente para o Centrão, e para o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Correu pelos corredores que na reunião entre Lula e Lira foi marcada por cobranças dele e de outros parlamentares a respeito da tão ‘mal’ falada articulação política feita por Rui Costa e Alexandre Padilha, titulares das pastas da Casa Civil e da Articulação Institucional. Para o grupo, se Lula continuar segurando cargos e não liberando emendas, as votações de interesse para que o petista cumpra seu plano de governo, prometido em campanha eleitoral, ficarão comprometidas. Entretanto, a Direto de Brasília já apurou que Daniela Carneiro, a Dani do Waguinho (Turismo), e Juscelino Filho (Comunicações) já estão de malas prontas, Nísia Trindade (Saúde), fica. E giram os dados.
Ilha da fantasia
Falando em Rui Costa, o atual ministro da Casa Civil precisou ir às redes sociais para se desculpar por ter falado mal da Capital Federal em um palanque em seu estado de origem, Bahia, por ele governado entre os anos de 2014 e 2022. Houve burburinhos de que só o fez porque foi ordenado para tanto pelo chefe Lula, uma vez que, na visão do ministro, ele apenas foi mal interpretado quando disse que Brasília é uma ilha da fantasia; Ofende em carro de som, se desculpa na rede social. Em tempos modernos, parece que o PT ainda precisa entender bem essa história de palanque.
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Foi o rompimento de Waguinho com o União Brasil, prefeito de Belford Roxo-RJ, o responsável para que Dani entregue a pasta do Turismo nos próximos dias. O prefeito se filiou aos Republicanos, e com isso aumenta a insatisfação do União, que já não anda votando com o governo no Congresso. Um dos cotados para que o ministério siga comandado pela legenda é o deputado paraense Celso Sabino. Luciano Bivar, presidente da sigla, e Elmar Nascimento, da Bahia, líder da bancada na Câmara, já abençoaram a indicação do amigo-irmão, e presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). O deputado de 44 anos é conhecido pela defesa das políticas do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Não basta apenas votar, tem que participar!
É o desejo do Partido dos Trabalhadores (PT) que, nesta semana, pediu ao ministro Juscelino Filho um dos 49 canais de rádio e TV em aberto no país para concessão por parte do poder público. Segundo Gleisi Hoffmann, é necessário que as pessoas entendam que participar da política implica em uma pedagogia de participação político-partidária que pode ser transmitida também por essa via. O pedido foi protocolado na última terça-feira (6) no ministério das Comunicações e contém as assinaturas de Gleisi e do deputado paulista da legenda, Jilmar Tatto. Tatto é o secretário de Comunicação do Partido.
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Contudo, essa deve ser uma das mínimas preocupações de Juscelino Filho, já que o ministro tem muito a explicar a respeito dos tantos erros cometidos, inclusive desde antes da posse. Desta última, que envolve o uso do gabinete para articulações particulares e familiares, parece que ele não escapa. A Direto de Brasília ainda não tem notícias dos nomes da bolsa de apostas. O que se tem de certo é que o União Brasil não fará força para Juscelino ficar, uma vez que sempre considerou que a indicação do ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não representa a legenda.
De braço-direito a ex-assessor de Lira
Alvo da Operação Hefesto, deflagrada nos últimos dias pela Polícia Federal (PF) em Alagoas, Luciano Ferreira Cavalcante foi exonerado do cargo de assessor do presidente da Câmara dos Deputados. Alguns avaliam que as atitudes de Lira nos últimos dias, bem como tudo que vem sendo levantado, apenas estão mostrando que o deputado alagoano sempre foi. Mas não foi só a intimidade de Luciano que está sendo constatada nas investigações, mas também a de outros investigados, que, entre outros momentos, participaram inclusive da recepção de posse da reeleição de Lira em fevereiro deste ano. A defesa do presidente da Câmara é a de que tudo não passa de uma movimentação errática de seu rival no estado, o senador Renan Calheiros (MDB), que no mínimo deveria ser contida pelo presidente Lula. A investigação da PF alagoana se refere à aquisição de kits de robótica com verbas do chamado orçamento secreto, e desviado do Fundo Nacional da Educação Básica (Fundeb), do ministério da Educação (MEC), em 46 municípios do estado. E mais, uma única empresa foi beneficiada, a Megalic, de Edmar Catunda, também aliado de Lira. Os valores dos kits foram superfaturados.
