Atos golpistas: Eliziane é a relatora da CPMI que vai atuar na investigação

Escolha marca ineditismo, colocando uma mulher na relatoria de uma das mais importantes comissões de inquérito do Congresso

Eliziane pretende traçar um plano de trabalho plural, já na próxima semana

Eliziane pretende traçar um plano de trabalho plural, já na próxima semana | Edilson Rodrigues/Agência Senado.

Nesta quinta-feira (25), foi instalada no Senado a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI). Depois de resistência e, em cima da hora, aceitação do governo, a Comissão cujo requerimento de instalação havia sido lido em 26 de abril, ou seja, quase um mês depois, pretende investigar os ataques de 8 de janeiro de 2023 aos prédios do Executivo, Legislativo e Judiciário.

Continua após a publicidade

A senadora Eliziane (PSD-MA) foi designada pelo presidente, deputado federal Arthur Maia (União Brasil-BA). Agradecendo os esforços dos líderes de seu partido para tanto, os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Otto Alencar (PSD-BA) que a indicaram, a relatora informou que pretende apresentar o plano de trabalho da CPMI já na próxima reunião. Ela tem a intenção de que esse plano seja plural, para garantir as prerrogativas de todos os membros e dos partidos que eles representam.

Eliziane ainda declarou que “será uma proposta que vai representar a maioria do colegiado, ouvindo também as minorias, porque nós compreendemos que o processo democrático se faz com o contraditório também. É importante para o fortalecimento da democracia, estar em nosso plano de trabalho, que vai reger todos os próximos passos”, informou a senadora.

Gol do governo e demais postos

Continua após a publicidade

A situação achou a indicação de Eliziane uma boa opção para o governo, embora antes dela, pensasse, primeiramente, no nome do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é aliado do presidente Lula, mas adversário político de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados. E outros nomes estavam ainda à frente, como o nome do senador Eduardo Braga (MDB-AM). Entretanto, sem concordar com o governo, que ainda não definiu uma estratégia para enfrentar os membros oposicionistas, os emedebistas não quiseram integrar a CPMI.

A indicação de Eliziane foi questionada, em meio a uma tentativa de gerar tumulto, pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES), que é tido como persona non grata por muitos parlamentares por já ter se envolvido em outras situações que ainda não foram totalmente esclarecidas. O argumento de Do Val foi o de que a senadora não poderia ser relatora de uma comissão em que um dos seus grandes amigos, uma pessoa tão próxima dela, será investigado, o ministro da Justiça Flávio Dino.

Seus colegas, e ela própria, refutaram a tentativa de Do Val de criar confusão. O senador Omar Aziz, por exemplo, lembrou: “Próximos de possíveis investigados, todos nós somos, eu sou, o senhor é, aqui, inclusive, tem amigo e familiar de investigado”. Eliziane colocou que “não tem nada disso no regimento, não faz sentido”, insistiu nas entrevistas que concedeu à imprensa.

Continua após a publicidade

Nesta CPMI haverá, ainda, postos inéditos, os de primeiro e segundo vice-presidentes. Devido ao fato de não haver previsão regimental dos postos no Regimento Comum do Congresso Nacional, o senador Otto Alencar encaminhou a questão para que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) resolva se os postos poderão existir e Cid Gomes (PDT-CE), e Magno Malta (PL-ES), que já foram oficializados pelos membros integrantes da Comissão, permaneçam.