Depois de abrir a votação com um discurso contundente, Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, é só sorrisos. Principalmente porque, enquanto esta coluna está sendo escrita, não somente a Reforma Tributária foi aprovada na Casa nos dois turnos necessários, ainda se discute a viabilidade de cumprir a agenda econômica da semana. É possível que o voto de qualidade do Carf, e o arcabouço fiscal, sejam votados nesta sexta-feira (7). E com essa grandiosa vitória de Lira, ninguém duvida que talvez ele consiga essas votações. Como dizia o velho guerreiro, Chacrinha, “está com tudo e não está prosa!”. Começou esta sexta recebendo ligações de elogios e agradecimento de Lula, Haddad e de outros ministros para quem o feito foi um ganho para o Brasil. Sem contar as falas de várias lideranças políticas, entre elas, a do vice-presidente da República e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSD). Desde a redemocratização do País que o assunto estava parado no Congresso Nacional.
Tarcísio
É o que se comenta aqui em Brasília. Alguns chegam a perguntar se foi de Tarcísio de Freitas mesmo a iniciativa de ir à reunião de bancada do Partido Liberal (PL) na última quinta-feira (6), ou se o governador paulista recebeu recomendações de algum marqueteiro para tanto. Isso porque, nem em seus melhores sonhos, a tamanha hostilização que ele recebeu de deputados do partido, e do próprio ex-presidente da República poderia fazer tanto efeito positivo. Muitos avaliam que foi a senha para que ele comece a fazer algo que muitos já imaginavam que faria: deslocar-se da extrema-direita para o centro.
‘Mas eu me mordo de ciúmes’
Já diziam os paulistanos do Ultraje a Rigor. É assim que está Bolsonaro. Mas o fato é que o discurso vazio dele em nada ajudou para que a Reforma Tributária não fosse aprovada. Mais do que ser oposição por ser oposição, o ex-presidente e seus asseclas foram cobrados por não ter um discurso condizente para dizer que a “reforma do PT” era negativa para o Brasil. Apenas votar não, porque a situação votaria sim, não foi uma manobra consistente. E olha que Tarcísio avisou: “Será que o PL vai querer ser visto como aquele que votou contra a Reforma que o Brasil tanto necessita”?
Mais Tarcísio
Esta coluna não pode deixar passar o prestígio do governador de São Paulo. Lira destacou o protagonismo de Tarcísio de Freitas em seu histórico discurso de abertura da votação, agradeceu pelo empenho e falou sobre a importância de os deputados reconhecerem que as eleições acabaram. “Eu mesmo apoiei o ex-presidente nas eleições, e ele foi derrotado!”. Com essa frase, Lira cravou mais um espinho no coração do, segundo ele mesmo, moribundo Bolsonaro. O ex-presidente disse que não estava morto, mas sim na UTI. Mais um bingo para Tarcísio.
E ela não sai
Sim, o título é repetido nesta coluna, mas é que a história, realmente, não muda, e Dani do Waguinho continua ministra do Turismo. O engraçado é que ela até mandou para os funcionários do ministério o convite para a festinha de despedida, seria às 17h, no auditório do órgão que fica no subsolo. Mas o fato é que, mesmo depois de ter entregado a carta em que colocava seu cargo à disposição, saiu da reunião com o presidente Lula, de mãos dadas com seu marido, o prefeito de Belford-Roxo (RJ), ainda mandatária da pasta.
Mas temos que reconhecer a força do ministro
Ele chegou meio sem apoio do mercado financeiro, e com desconfiança de gente do próprio PT, mas tem conseguido, de braços dados com Lira, cumprir o que prometeu. Haddad, quando da sua posse, disse que entregaria as novas regras fiscais do governo, a reforma tributária, e que resolveria a questão do Carf, que causa um enorme rombo fiscal nas contas públicas, no primeiro semestre, e entregou. Se a Câmara tentou emperrar, e partidos ficaram contra, a foto ficou feia para eles. Até Tarcísio conseguiu sair bem na foto! Inclusive, para bater o martelo sobre a questão, nesta sexta (7), o ministro da Fazenda esteve reunido com o presidente da Câmara por mais de uma hora para tentar garantir a votação da pauta econômica. Sem contar que ele ainda conseguiu garantir a ida de seu número 2, Gabriel Galípolo, e de outro nome de sua confiança, Aílton de Aquino, para as diretorias de Política Monetária, e de Fiscalização do Banco Central, fazendo com que aumentem as expectativas para a tão esperada queda da taxa de juros. Atualmente a taxa Selic está em 13,75%.
