Neste mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher, defronto-me com a necessidade de discussão sobre os altos índices de violência contra as mulheres no Brasil, sobretudo após casos recentes que impactaram a esfera pública, mobilizando manifestações em todo o País.
Infelizmente, tais fatos compõem estatísticas recorrentes. Segundo o Mapa da Segurança Pública de 2025, o Brasil registrou recorde de feminicídios no ano anterior: foram 1.459 casos em 2024, o equivalente a quatro mulheres assassinadas por dia em crimes motivados por violência de gênero. Esses dados de extrema gravidade somam-se a outras formas de agressão — moral, física, sexual, psicológica e patrimonial —, menos difundidas pela mídia e ainda mais frequentes. Embora alarmantes, tais números indicam, ao mesmo tempo, o aumento dos registros das ocorrências e, consequentemente, a ampliação da visibilidade e reconhecimento desse problema social sistêmico.
Iniciativas de proteção e garantia de direitos por meio da legislação — como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio — constituem conquistas sociais relevantes. O recente “Pacto Brasil entre os três poderes para enfrentamento do feminicídio” também se apresenta como demonstração da responsabilidade estatal frente aos casos. Entretanto, torna-se indispensável a toda a sociedade civil compreender as origens dessas violências e atuar na direção de sua erradicação. Para isso, a promoção de ações socioeducativas revela-se fundamental, e deve ser considerada sob a perspectiva da prevenção e reparação.
Desde a infância, práticas propositivas voltadas à transmissão de valores relacionados ao respeito e à igualdade entre todas as pessoas são essenciais, tanto no âmbito familiar quanto no educacional, além de outros espaços culturais de convivência e lazer, incluindo o ambiente virtual — especialmente suscetível à disseminação da cultura de ódio.
Pesquisa realizada pelo DataSenado revelou que, em 2025, cerca de nove milhões de brasileiras foram vítimas de violência online, como ameaças, exposição de imagens íntimas e criação de perfis falsos, o que reforça a necessidade de maior controle e responsabilização por parte das empresas de tecnologia, bem como de uma atuação individual consciente.
Considerando a condição humana de permanente aprendizagem, é importante destacar que ações educativas de sensibilização de pessoas adultas — especialmente dos homens — também devem integrar as estratégias de redução das violências que atingem as mulheres.
A reavaliação de padrões e comportamentos masculinos potencialmente nocivos deve ser conduzida com consciência e seriedade, e a temática precisa ser debatida de forma contínua, franca e coletiva.
O Dia Internacional da Mulher pode contribuir, assim, como estímulo a essas reflexões, partindo da compreensão de que a agressão direcionada às mulheres afeta a sociedade como um todo, em seus diferentes setores. Nesse sentido, agentes públicos e privados devem se comprometer com a desnaturalização dessas práticas. Como um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o enfrentamento à violência contra todas as mulheres constitui um indicador do avanço do país rumo a uma sociedade mais justa e democrática.
