O encerramento da Copa do Mundo de futebol masculino ficará marcado pela celebração da seleção campeã, mas também pelo saldo econômico gerado ao longo do torneio, reconhecido como o maior da história.
A previsão da Federação Internacional de Futebol (FIFA), de movimentação de mais de US$ 80 bilhões, impressiona por si só, e reforça o prestígio desse que é um dos mais importantes eventos esportivos do mundo.
Compreendo que tamanha dimensão provoque controvérsias, porém considero que o evento pode suscitar desdobramentos positivos que impactam, a longo prazo, os países-sede e demais nações envolvidas.
No Brasil, segundo estudo do Instituto Sou do Esporte, de 2023, o setor esportivo como um todo ativa cerca de R$ 183 bilhões anualmente — equivalente a 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB) — o que demonstra sua magnitude. Diante disso, é pertinente avaliar o quanto esses investimentos se revertem em proveitos para a população.
O direito ao esporte e à prática de atividades físicas é assegurado pela Constituição Brasileira. A legislação parte do reconhecimento de que as tais práticas trazem benefícios individuais e sociais, promovendo saúde e bem-estar, além de desenvolvimento socioeconômico e comunitário.
Por isso, as ações com essas finalidades devem ser viabilizadas continuamente por meio de políticas públicas específicas.
É conhecida a relação das atividades físico-esportivas com o período de formação escolar; no entanto, tais práticas precisam integrar o cotidiano das pessoas de todas as faixas etárias e em diferentes espaços, sejam estes especializados, sejam eles de uso livre ou de lazer.
Para garantir essa presença, organismos públicos, setor privado e organizações da sociedade civil precisam unir esforços para a ampliação e fortalecimento das iniciativas da área.
O futebol, nesse contexto, atrai atenções e interesses que sensibilizam a esfera pública de modo particularmente expressivo. Por ser o esporte mais popular do país, e por estar profundamente associado à identidade brasileira, atua como catalisador de diversos públicos.
A modalidade que, sozinha, chega a movimentar R$ 91,4 bilhões por ano, segundo estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), poderia servir como vetor para a expansão dos investimentos vinculados ao conjunto de práticas esportivas, tanto por meio da melhoria da infraestrutura para usufruto de todas as pessoas, como também estimulando a formação daquelas cujo talento permite sonhar com uma trajetória profissional.
Para alcançar esse objetivo, as políticas públicas têm papel fundamental.
A consolidação do Sistema Nacional do Esporte (Sinesp), por meio da Lei Geral do Esporte (2023), traz nova organização para as práticas nos âmbitos federal, estadual e municipal.
A legislação prevê, ainda, a ampliação e diversificação de financiamento entre fontes públicas e privadas, favorecendo a viabilização de projetos, como a Lei de Incentivo vinha desenvolvendo.
E, ainda que as iniciativas tenham o futebol como finalidade principal, a destinação de recursos é capaz de incidir em ganhos compartilhados entre diferentes atividades físico-esportivas.
Concluo sugerindo: há ricas possibilidades que subjazem à mobilização em torno da Copa do Mundo. Em 2027, a realização do torneio feminino no Brasil se apresenta como promissora oportunidade.
O engajamento ao assistir aos jogos pode extrapolar a identificação das pessoas enquanto espectadoras, e incentivar o hábito regular de atividades físicas, índice que ainda tem sido menor que a meta para a população.
Além disso, os grandes eventos favorecem a sociabilidade e a convivência, e estimulam os sentidos de pertencimento e comunidade, condição singular para o bem-estar social.
