Mais espaços para o lazer

Opções de lazer ainda são escassas, e articulações entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil são fundamentais

Anos depois, o local se tornou o parque linear Tiquatira

Anos depois, o local se tornou o parque linear Tiquatira | Bruno Santos/Folhapress

A convivência presencial segue essencial para a saúde física e mental das pessoas, assim como para o fortalecimento dos vínculos sociais — base do exercício da cidadania. Embora a vida digital tenha se tornado uma tendência global, ela solicita equilíbrio e cautela.

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No cotidiano, especialmente nas periferias das cidades, moradores e moradoras tentam conciliar essas duas dimensões enquanto são confrontados com desigualdades históricas e com demandas por atenção e produtividade em diferentes níveis.

Em face das profundas transformações vivenciadas, de forma diferenciada nas diversas camadas da sociedade, sinto-me instigado a tocar em um tema por vezes menos lembrado: o direito ao lazer. Em meio ao imperativo da competitividade que caracteriza as metrópoles, atividades de lazer precisam ser tratadas como um direito legítimo, fundamental para o bem-estar individual e coletivo.

Além de aproximar pessoas de diferentes idades e perfis, o lazer possibilita encontros, amplia redes de apoio e reforça sentidos comuns. 

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Dados da pesquisa Viver em São Paulo: Cultura na Cidade (Rede Nossa São Paulo, 2019) mostram que quase um terço dos moradores não participa de nenhuma atividade cultural. Esse grupo é formado majoritariamente por pessoas mais velhas, de menor renda e escolaridade, e por pessoas negras.

O Mapa da Desigualdade (Rede Nossa São Paulo, 2024) reforça o diagnóstico: a distribuição de equipamentos públicos varia drasticamente entre os distritos da capital. Isso constitui obstáculo decisivo, considerando que a proximidade e a oferta de horários estendidos são fatores decisivos para a adesão a atividades culturais e esportivas.

Diante desse quadro, a articulação entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil torna-se crucial para ampliar o acesso ao lazer, sobretudo para quem dispõe de menos recursos — justamente quem mais precisa de espaços comunitários qualificados.

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Há exemplos que apontam caminhos promissores. Matérias recentes na grande mídia contam a história de um morador da Zona Leste que decidiu, por iniciativa própria, plantar árvores em uma área degradada às margens de um córrego.

Anos depois, o local se tornou o parque linear Tiquatira. Primeiro vieram as plantas, em seguida os animais; depois, as pessoas. O que atraiu a comunidade? A possibilidade de se reconectar com a natureza e com outras pessoas parece ter sido o atrativo. Acessibilidade, conforto ambiental, segurança e cuidado contínuo completam a equação, ainda que a manutenção do espaço dependa de ações permanentes do poder público e de parcerias privadas.

Em meio à procura por locais de lazer, cenas singelas e, por vezes, improváveis se multiplicam pelas cidades: ciclofaixas e pistas de caminhada que reúnem, ao mesmo tempo, pedestres, ciclistas, corredores, skatistas, patinadores e pessoas com seus animais, em busca de um lapso de tempo para respirar e apreciar a paisagem. São espaços que, com estrutura ainda insatisfatória e arborização mínima, despertam o desejo de pausa no cotidiano, permanência e uso compartilhado.

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Lembremos: o dia 16 de abril foi instituído por organizações globais como o Dia Mundial do Lazer. Trata-se de uma estratégia dedicada a sensibilizar pessoas, autoridades públicas e gestores privados para a importância do lazer como fator de desenvolvimento humano. A mensagem é clara: priorizar o bem-estar é investir em saúde e cidadania.