Recuperar e regenerar

Emergências climáticas: ainda há tempo para mobilização e mudança; cada atitude faz diferença

A estrutura foi criada após o apagão de 2023, quando ventos fortes deixaram milhares de imóveis sem energia em São Paulo

O estado chegou a colocar nove das 16 regiões em alerta vermelho e instalou um gabinete de crise para acompanhar a situação/Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Emergências climáticas: ainda há tempo para mobilização e mudança; cada atitude faz diferença

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Ao tomar conhecimento dos reiterados alertas emitidos por agências nacionais e internacionais sobre um novo e intenso episódio do fenômeno El Niño, associado a alterações nos padrões globais de temperatura e precipitação, passei a refletir com mais atenção sobre a crise climática e seus desdobramentos sociais, econômicos e ambientais.

Quando cheguei a São Paulo, no final dos anos 1950, a cidade era conhecida como a “Terra da Garoa”. Por décadas, apesar dos efeitos da poluição industrial e veicular, as estações do ano apresentavam comportamentos relativamente previsíveis, sem as oscilações extremas que hoje se tornaram frequentes.

Essa realidade mudou mais rápido que o previsto. Registros científicos e observações cotidianas evidenciam a intensificação de eventos extremos, embora ainda existam vozes que minimizem a gravidade do problema. Em contextos democráticos, o dissenso é legítimo; no entanto, o volume de informações produzidas pela comunidade científica não deixa dúvidas quanto aos impactos das mudanças climáticas sobre a vida, em especial nas cidades.

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Por um lado, o consumo excessivo de recursos naturais, a dependência de combustíveis fósseis e a impermeabilização do solo são alguns fatores que ampliam riscos; por outro, expansão urbana desordenada e moradias precárias aprofundam vulnerabilidades socioambientais.

Atualmente, a ciência dispõe de instrumentos capazes de antecipar ameaças com elevado grau de confiabilidade. Quando incorporadas à gestão pública e ao planejamento territorial, essas informações permitem estruturar estratégias preventivas e respostas mais eficientes. Afinal, mudanças no ciclo hidrológico, irregularidade das chuvas e aumento da temperatura média do planeta reforçam um cenário que desafia tanto o presente quanto o futuro.

Diante dessa urgência, experiências bem-sucedidas indicam caminhos possíveis. A educação ambiental fortalece a consciência crítica e estimula o engajamento da sociedade na construção de novas práticas. Ao mesmo tempo, as políticas públicas precisam incorporar iniciativas de restauração ecológica capazes de recuperar funções essenciais dos ecossistemas, como a regulação do clima, a conservação da biodiversidade e a proteção dos recursos hídricos, nisso o envolvimento das empresas dos diversos setores produtivos torna-se crucial.

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Na contramão desse esforço, surgem preocupações relacionadas às megaestruturas de data centers voltadas ao suporte da inteligência artificial. Em diversas localidades, o elevado consumo de energia e água tem gerado impactos ambientais significativos e ampliado debates sobre sustentabilidade. Nesse contexto, gestores públicos e privados assumem papel decisivo na formulação de escolhas orientadas pelo conhecimento científico e pelo diálogo social.

Na minha experiência como gestor, iniciativas como o consumo responsável, o combate a todas as formas de desperdício, incluindo a de alimentos, a ampliação das áreas verdes e a adoção de matrizes energéticas renováveis demonstram que é possível conciliar desenvolvimento, equilíbrio ambiental e qualidade de vida.

O aumento de eventos climáticos extremos reforça a necessidade de ações integradas para reduzir danos aos ecossistemas e às populações. Caso contrário, ingressaremos em um período de extinção em massa de espécies, além de severas consequências na saúde física e mental das pessoas.

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Torna-se, portanto, indispensável reconstruir condições socioambientais favoráveis à vida. Cada iniciativa conta, cada atitude faz diferença. A transformação depende de compromisso coletivo, responsabilidade compartilhada e ações concretas – e seu tempo de implementação já está em vias de se esgotar.