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PAUTA DA SEMANA

Guerreiros milagrosos

Cada vitória de um brasileiro nas Olimpíadas escancara o sacrifício dos que chegaram até ali por esforço próprio oriundos de um país em que o esporte é para poucos

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Rayssa Leal conquistou na madrugada de segunda-feira (26) a medalha de prata no street do skate / Wander Roberto/COB

Dizem que o esporte faz milagre, e nesta semana fez mesmo. As olimpíadas de Tóquio fizeram o brasileiro voltar a sorrir ignorando, nem que por alguns segundos, a crise econômica e a pandemia que seguem ceifando diariamente mais de 1 mil vidas no País. Mesmo que por alguns momentos, pela televisão ou pelo celular, a alegria chegou até nós através da celebração de fadinha do skate, Rayssa Leal, de 13 anos, do baile de favela de Rebecca Andrad, de 22 anos, ou ainda do choro emocionado do surfista Itálo Ferreira, de 27 anos.

Os milagres que os nossos atletas realizaram vão muito além de nos proporcionar alegrias. Cada vitória de um brasileiro nas Olimpíadas escancara o sacrifício dos que chegaram até ali por esforço próprio oriundos de um país em que o esporte é para poucos. É, sim, muito emocionante ouvir que Ítalo surfava na prancha de isopor e que a primeira prancha de verdade ele só ganhou ao 11 anos, através de uma vaquinha. É louvável também ver o esforço e perseverança dos pais de Rayssa que acreditaram no talento da filha e não a fizeram desistir da carreira. Porém, o Brasil desperdiça inúmeros talentos todos os anos que poderiam nos trazer tantas outras alegrias.

Não precisamos citar números para comprovar isso. Na sua cidade, por exemplo, a prefeitura tem algum programa de esporte gratuito e em massa para os jovens? Ou a empresa que você trabalha investe na formação de atletas? A reposta provavelmente é não. E um dos maiores culpados é o nosso sistema de governo que investe dinheiro público em obras e ações eleitoreiras e a curto prazo.

Poderíamos ser uma potência no esporte, porém leva tempo e muito dinheiro, e o retorno, esperado pelo governante (o voto e não a medalha) ia demorar muito para chegar. Em países onde o esporte é levado a sério, o investimento é na base, ainda na escola com as crianças.

Nos Estados Unidos, que se destacam em praticamente todas as Olimpíadas, o investimento é privado, contínuo e cultural. São das universidades que vêm a maioria dos atletas do país. É uma tradição de séculos por lá ter esporte nas escolas. Por aqui, só se vê quadra de futebol no recreio e isso quando a quadra ainda é equipada com tabela, aro e traves.

E outro ponto ainda mais importante é que já está mais do que comprovado que o esporte não forma só atletas, forma cidadãos. Forma seres humanos que sabem competir e respeitar ao mesmo tempo, que são conscientes de que manter corpo e mente em dia e que reconhecem o valor de conviver em sociedade. O Brasil infelizmente não planta para colher. Vive de esperar pequenos milagres.

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