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CHOCOLATE AMARGO

Depois da queda na produção africana, Brasil tem baixa de 31% na safra de cacau

Nesse ranking, a Costa do Marfim, sozinha, responde por 44% de todo o cacau colhido no mundo

NILSON REGALADO

Publicado em 19/04/2024 às 14:09

Atualizado em 19/04/2024 às 14:13

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Os preços do cacau vêm batendo recordes sucessivos nas bolsas internacionais / Kier in Sight Archives/ Unsplash

Os preços do cacau vêm batendo recordes sucessivos nas bolsas internacionais desde o ano passado devido à queda sistemática da produção na África, principal fornecedora das amêndoas para a indústria do chocolate no Planeta. Nesse ranking, a Costa do Marfim, sozinha, responde por 44% de todo o cacau colhido no mundo. Mas, já são três anos seguidos de secas e de baixa produção no país da costa oeste africana.

Agora, o Brasil também apresenta queda de 31% na oferta do fruto. No primeiro trimestre, 18,7 mil toneladas foram entregues às indústrias, em contraste com as 27,2 mil toneladas dos três primeiros meses de 2023. Os dados foram divulgados nesta semana pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau.

E essa queda na produção brasileira é atribuída ao fenômeno El Niño e a doenças como a vassoura de bruxa e a podridão, que reduziram a colheita na Bahia, responsável por 61% da produção nacional. Os mesmos fatores também derrubaram a safra do Pará, segundo no ranking do cacau, com quebra de 50% na entrega dos frutos.

Espírito Santo e Rondônia também colheram menos amêndoas no primeiro semestre. Diante da crise na oferta mundial das amêndoas, a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento tenta intensificar a produção de cacau em São Paulo, especialmente no Vale do Ribeira.

E, se a Páscoa passada já foi marcada pela carestia nos ovos, o futuro do setor preocupa. Por enquanto, as grandes indústrias multinacionais têm reduzido margens e usado estoques de cacau comprado com preços inferiores no passado. Com isso, nem toda alta foi repassada, ainda, ao consumidor final, algo que deverá acontecer aos poucos para não inviabilizar as vendas.

Mas, o ‘super’ El Niño que marcou o clima global desde o segundo semestre de 2023, agravou a situação das lavouras na Costa do Marfim no primeiro trimestre de 2024. O fenômeno intensificou os ventos secos conhecidos como Harmatã, que sopram do deserto do Saara e varrem a costa oeste da África, chegando até o Arquipélago de Cabo Verde. E isso torna o clima da região mais quente e árido que o normal, trazendo prejuízo às plantações de cacau.

Assim, a perspectiva de um terceiro deficit consecutivo no balanço global do cacau ao fim da safra atual se consolidou, algo que não ocorre há mais de 50 anos. E a Organização Internacional de Cacau estima um deficit na oferta de 374 mil toneladas ao final da temporada 2023/24.

‘Quando os ventos...
O Conselho Global de Energia Eólica divulgou nesta semana o balanço de 2023 e os dados revelam que as instalações eólicas globais bateram recorde, com 106 giga watts de novas turbinas em terra firme. No mar, o ano passado registrou o segundo maior volume instalado, com 11 GW.

...da mudança sopram,...
Porém, mesmo com toda essa expansão, se seguir o ritmo atual, o setor ficará aquém da meta estabelecida para esta década, que é de 3 TW. Nos últimos cinco anos, os investimentos em renováveis superaram outras fontes no setor elétrico, alcançando US$ 700 bilhões.

...outros constroem...
A indústria eólica vem sendo testada com pressões inflacionárias, alto custo de capital e fragilidades na cadeia de suprimentos. E estima-se que 2 bilhões de pessoas irão às urnas em eleições presidenciais, legislativas ou parlamentares em mais de 60 países ao redor do mundo em 2024. E o receio é que esse cenário mude o rumo da política energética nessas nações, acelerando as mudanças climáticas.

moinhos de vento’
China, Estados Unidos, Brasil, Alemanha e Índia foram os países que mais instalaram usinas eólicas no ano passado. Mas, a liderança chinesa foi abissal em relação às demais nações, com quase 65% das novas instalações em 2023 (75 GW). Na América Latina, que também registrou crescimento recorde, de 21%, o Brasil liderou com 4,8 GW em novas estruturas.

Ofertas na feira
Abacate fortuna, caqui rama-forte, limão taiti, tangerinas cravo e poncan, abóboras moranga e paulista, batata-doce rosada, berinjela, inhame, mandioca, almeirão pão de açúcar, manjericão, cogumelo hiratake e pinhão fecharam a semana com preços em queda na Ceagesp, a maior central atacadista de alimentos in natura da América doo Sul.

Filosofia do campo:
“Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras. Outras, constroem moinhos de vento...”, Érico Veríssimo (1905/1975), escritor gaúcho.

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