O Brasil é um grande importador de trigo? Sim!
A Guerra na Ucrânia vai impactar o preço do cereal no mercado mundial? Sim!
Porém, é preciso observar o cenário sem a tradicional superficialidade das análises televisivas e feicebuquianas!
Também é preciso enxergar as fake news que interessam ao agronegócio, aos moinhos e ao Governo Federal, que buscam explicações irreais para ambições desmedidas.
Pois bem, prezado/a leitor/a, o relatório mensal divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou que a safra brasileira de trigo 2021/22 somou 7,68 milhões de toneladas.
E isso representou uma alta de 23,2% em relação à safra anterior!
Ainda assim, o Brasil precisa importar trigo estrangeiro porque consumimos perto de 12 milhões de toneladas/ano.
Porém, nossa dependência em relação ao cereal importado já foi muito maior!
Mais: ainda que Ucrânia e Rússia produzam, juntas, 59 milhões de toneladas e forneçam 30% das exportações mundiais de trigo, há alternativas no Mercosul e até na Índia.
Segunda maior produtora mundial de trigo, a Índia colocará à disposição do mercado mundial sete milhões de toneladas do cereal, recorde absoluto na história do País asiático!
E, ainda que os preços subam no mercado internacional com a persistência da guerra, o Governo Federal tem mecanismos para conter altas exageradas no mercado interno através de políticas cambiais eficientes, capazes de manter o dólar em patamares civilizados.
Mais: o Governo também pode conter o avanço no preço de pães e massas com o aumento da cota livre de tarifas de importação. Atualmente, até 750 mil toneladas podem ser trazidas do exterior sem imposto.
Agora, o que falta no Brasil é uma política pública que incentive o plantio do trigo, especialmente na Região Sul e no Cerrado.
Hoje, o Rio Grande do Sul planta seis milhões de hectares de soja no verão e somente 1,1 milhão de hectares de trigo no inverno. Se os gaúchos ocupassem com trigo no inverno toda a área destinada à soja no verão, sozinho, o Estado poderia produzir quase 17 milhões de toneladas, o suficiente para abastecer o mercado doméstico e ainda exportar…
Cientistas de SP criam…
Cientistas da Unesp de Ilha Solteira conseguiram produzir um bioplástico antimicrobiano, comestível e degradável extraído do tutano de bois e vacas.
…’plástico verde’ feito…
Para dar ao biopolímero resistência à tração e a vapores equiparáveis às do plástico convencional, obtido a partir do petróleo, os pesquisadores adicionaram argila cloisita ao tutano. Com isso, o ‘plástico verde’ ficou até mais resistente que o original.
…com tutano de boi e argila
Em todo Planeta, são produzidas anualmente mais de 350 milhões de toneladas de embalagens plásticas e estima-se que 85% do lixo presente nos oceanos seja plástico. O Brasil ocupa o quarto lugar no ranking mundial, com a produção de 11 milhões de toneladas/ano…
Filosofia do campo:
“A liberdade de mercado permite que você aceite os preços que lhe são impostos”, Eduardo Galeano (1940/2015), jornalista e escritor uruguaio.