Publicidade

X

mês da consciência negra

Devemos ousar inventar o futuro

As palavras de Thomas Sankara, proferidas há 37 anos, caem como uma luva quando discutimos temas contemporâneos como as emergências climáticas e o racismo ambiental

Nilto Tatto

Publicado em 21/11/2023 às 13:20

Atualizado em 21/11/2023 às 13:49

Comentar:

Compartilhe:

A-

A+

Publicidade

Dia da Consciência Negra é comemorado no Rio / Fernando Frazão/Agência Brasil

"Venho diante de vocês porque esperamos que se engajem em um combate que nós não podemos nos ausentar, nós que somos atacados diariamente e esperamos que o milagre verde surja da coragem de dizer o que deve ser dito. Venho juntar-me a vocês para lamentar os rigores da natureza. Venho a vocês para denunciar o homem cujo egoísmo é a causa da desgraça de seu próximo. A pilhagem colonial dizimou nossas florestas sem a menor intenção de replantá-las para nosso futuro."

As palavras acima foram retiradas de um discurso proferido pelo revolucionário líder africano Thomas Sankara, em Paris, na primeira Conferência pela Proteção da Árvore de 1986. Além de presidente de Burkina Faso, Sankara era reconhecido mundialmente por sua luta anticolonial e pan-africanista, que incluía o enfrentamento à desertificação do seu País, até seu assassinato em 1987.

"Não somos contra o progresso, mas queremos que o progresso não seja anárquico e criminalmente alheio aos direitos dos outros. Queremos, portanto, afirmar que a luta contra a desertificação é uma luta pelo equilíbrio entre o homem, a natureza e a sociedade. Como tal, é sobretudo uma luta política e não uma fatalidade." 

As palavras de Thomas Sankara, proferidas há 37 anos, caem como uma luva quando discutimos temas contemporâneos como as emergências climáticas e o racismo ambiental.

Elas também dialogam sobremaneira com a luta dos povos indígenas, quilombolas, do povo preto da periferia e até dos palestinos pelo direito à terra. Assim como o saudoso seringueiro e líder sindical Chico Mendes, Sankara sabia que a luta contra as desigualdades não poderia ser desvinculada da luta por um meio ambiente equilibrado, justamente porque são os excluídos que mais sofrem as consequências do modelo político-econômico predatório de sociedade adotado pelo menos desde o período colonial.

Neste mês da consciência negra, faço um convite para nos inspirarmos na revolução conduzida por Sankara em Burkina Faso, que além de enfrentar inimigos tão poderosos como o imperialismo e o colonialismo, foi capaz de conter o avanço do implacável deserto, com medidas tão simples e eficientes quanto promover o plantio de árvores.

Nas palavras do próprio pan-africanista burquinês, "devemos ousar inventar o futuro".

Apoie a Gazeta de S. Paulo
A sua ajuda é fundamental para nós da Gazeta de S. Paulo. Por meio do seu apoio conseguiremos elaborar mais reportagens investigativas e produzir matérias especiais mais aprofundadas.

O jornalismo independente e investigativo é o alicerce de uma sociedade mais justa. Nós da Gazeta de S. Paulo temos esse compromisso com você, leitor, mantendo nossas notícias e plataformas acessíveis a todos de forma gratuita. Acreditamos que todo cidadão tem o direito a informações verdadeiras para se manter atualizado no mundo em que vivemos.

Para a Gazeta de S. Paulo continuar esse trabalho vital, contamos com a generosidade daqueles que têm a capacidade de contribuir. Se você puder, ajude-nos com uma doação mensal ou única, a partir de apenas R$ 5. Leva menos de um minuto para você mostrar o seu apoio.

Obrigado por fazer parte do nosso compromisso com o jornalismo verdadeiro.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Educação

Taboão da Serra inicia entrega do uniforme escolar

Expectativa é que até o dia 15 de março todos os estudantes tenham recebido o kit completo

Direitos Humanos

'Inconcebível', diz Alckmin sobre ataques contra civis em Gaza

Assim como Lula, vice-presidente fez apelo à comunidade internacional

©2021 Gazeta de São Paulo. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

Newsletter