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Política

Do inviável ao viável

Em tempos recentes presenciamos o surgimento do Movimento Brasil Livre (MBL), fundado majoritariamente por jovens brancos e abastados que ambicionavam pautar as vantagens de empunhar a bandeira do liberalismo econômico

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A dinâmica do establishment tupiniquim tem por característica e tradição a exorbitância de incontáveis moléstias de origem psicossocial que eliminam quaisquer possibilidades de demonstrações ligadas à complacência republicana e à condescendência enquanto ato de piedade ou generosidade descomprometida. 


Em tempos recentes presenciamos o surgimento do Movimento Brasil Livre (MBL), fundado majoritariamente por jovens brancos e abastados que ambicionavam pautar as vantagens de empunhar a bandeira do liberalismo econômico. Mas instantes subsequentes, contemplamos o esfacelamento mórbido e precoce da organização, contexto derivado da conduta impertinente das lideranças que não compreenderam os limites que separam a representação política oriunda do sufrágio popular e a perseguição obsessiva por interações e engajamentos nas redes sociais. 


Essa conjuntura concebe a gênese e dá essência à dinâmica que idealizou a suspensão do senso de razoabilidade e precipitou-se no cárcere do espírito nativo desde a eleição de 2018, ou seja, a polarização ruidosa entre os adeptos de Lula e os legionários de Bolsonaro: o embate daqueles que detratam os pretensos defensores da imoralidade pública, simbolizados pela apropriação obscena de propinas em contraposição aos que denunciam o respaldo à insanidade governamental, retratado em protocolos sanitários que orientam o consumo de vermífugos na qualidade de fármacos indicados na contenção do avanço da pandemia viral. 


Batalha que insere a polêmica de qual opção exprimiria o mal menor - o usurpador do erário público ou o ceifador negacionista de vidas inocentes? Circunstância que situa em corners opostos o petista desinteressado em agraciar o povo com a autocrítica redentora a respeito das mazelas ocorridas em seu governo e Jair Messias, que oferta o delírio coletivo e a cegueira ética no formato de nirvana aos que sonham com o regozijo proveniente de um mundo desprovido de contraditórios e substanciado na “supressão do desejo e da consciência individual”. Em resumo, despojados das condições objetivas para contar com preponentes de envergadura e robustez capazes de romper com tais dicotomias, de que maneira poderíamos requalificar o debate, recriar cenários e redefinir alternativas viáveis? Aparentemente, a elite econômica nacional resume-se tão somente à volúpia de quantificar o número de bilionários vaidosos e orgulhosos dos próprios feitos, todavia, comportam-se charmosamente descolados e alienados das angústias que vêm consumindo a consciência comum.


 Será que posturas arrojadas, modernas e engajadas como a de Luiza Helena Trajano não passam de heroísmo metafórico, destituído de qualquer vínculo com a realidade manifesta? Pois como exteriorizava Ben, tio do jovem Peter Park, conhecido pela alcunha de Homem-Aranha: “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”. Também podemos citar as interlocuções enfadonhas e recuos infindáveis de Luciano Huck, que até hoje não ultrapassaram o campo das elaborações estéticas, típicas da eloquência catártica de programas televisivos de auditórios. Em síntese, a arrogância dos “a priori” petistas contribuiu decisivamente para que o país desembarcasse na constelação demente dos “a posteriori” bolsonaristas. 


Portanto, já ultrapassamos todas as demarcações que separam os limites entre o progresso sustentável e o retrocesso estrutural. Não é mais possível que a sociedade civil organizada e iluminada permaneça com a atitude de avestruzes pomposos com as cabeças enfincadas na terra. Passou o momento da burguesia esclarecida desempenhar o seu papel histórico de transformações. 

Artigo escrito pelo Físico Fábio Merli e o Cientista Político, Nilton Tristão.

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