Loira do Banheiro e suas trilhas por São Paulo

Assombração existiu, mas nunca foi loira; conheça a história real

Maria Augusta de Oliveira Borges era meio ruiva e ficou conhecida como A Loira do Banheiro

Maria Augusta de Oliveira Borges era meio ruiva e ficou conhecida como A Loira do Banheiro | Divulgação/Arquivo Pessoal

A história de assombração preambular do nosso imaginário nacional é a da Loira do Banheiro. Aquela mesma que assombrava a sua escola, onde quer que fosse a sua escola.

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A assombração mais disponível do universo, bastando que você fizesse um simples ritual para que ela aparecesse.

Entendo se você não levar muita fé no ritual para evocar a protagonista da lenda urbana mais popular do País. Mas saiba que a Loira do Banheiro existiu e nunca foi loira.

Ela era meio ruiva. Seu nome era Maria Augusta de Oliveira Borges.

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Maria Augusta era filha do Visconde de Guaratinguetá, teve um casamento arranjado por Conde D’Eu, o marido da Princesa Isabel, e se casou com o Conselheiro Dutra Rodrigues, figura prestigiada no Império e que chegou ao posto equivalente ao de governador do Estado de São Paulo.

Sim.

A Loira do Banheiro – que, na verdade, era ruiva – foi casada com o governador do Estado de São Paulo.

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Maria foi compelida a se casar com o Conselheiro Dutra aos quatorze anos, quando o prestigiado jurista já era um idoso no alto de seus trinta e quatro anos de idade.

Maria Augusta não se conformava com seu destino afetivo e, quando seu pai morreu, ela vendeu algumas joias e fugiu de suas obrigações maritais.

Ela foi para a França e sua atitude chocou a sociedade.

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Foi convencida a encerrar seu vínculo conjugal com o Conselheiro Dutra e, depois de uma breve passagem pelo Brasil para resolver pendengas burocráticas, retornou à França.

Mas, provavelmente, foi contaminada com raiva humana, o que acarreta hidrofobia (talvez a razão das aparições da Loira do Banheiro estarem relacionadas às torneiras abertas e descargas das privadas).

Ela morre, seu corpo é embalsamado e transladado para Guaratinguetá.

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Muitos de seus pertences e documentos se perderam no retorno à casa, pois seu caixão foi violado e furtado.

A esse tempo, sua mãe, viúva, vivia na maior mansão da cidade e reserva um aposento para a filha, que tem seu corpo exposto em um tipo de redoma de vidro.

Dizem que suas primeiras aparições são neste recinto, onde ela pedia água para quem a visse na redoma mortuária.

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Passa o tempo e sua mãe tem um sonho com Maria Augusta, onde a moça, no reino de Morfeu, pede que a mãe a enterre, o que ocorre em uma bonita capela no Cemitério dos Passos, em Guaratinguetá.

A mansão da família é vendida para o Estado de São Paulo, que instala uma escola pública na edificação, e lá são relatadas inúmeras manifestações fantasmagóricas relacionadas à nossa Maria Augusta, rebatizada de Loira do Banheiro por alunos e funcionários da Escola Estadual Conselheiro Rodrigues Alves.

Mas eu sei que prometi suas memórias na cidade de São Paulo, e aí vão elas:

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Maria Augusta viveu um tempo com o Conselheiro Dutra em um sobrado que existe até hoje na rua Roberto Simonsen, pertinho da Praça da Sé.

Outro endereço em que cruzamos a história de Maria Augusta na capital paulista é no Cemitério da Consolação, onde descansa seu ex-marido, o Conselheiro Dutra Rodrigues.

Se você não acredita em mim, pergunta para ela.

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A minha receita para evocação da Loira do Banheiro é muito simples:

Entre na cabine do banheiro da sua escola de preferência – não adianta ser mictório. Jogue um fio de cabelo na privada, dê descarga e, ao mesmo tempo, profira um palavrão. Repita a ação por três vezes.

Saia da cabine do banheiro e vá até o espelho sobre a pia e diga:

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Loira do Banheiro, Loira do Banheiro, Loira do Banheiro.

Se a fantasma mais famosa do mundo não estiver assustando outros alunos em alguma das escolas do Brasil, ela se manifestará abrindo simultaneamente as torneiras do banheiro e se materializando com seu famoso vestido branco, olheiras profundas e narizinho tampado com algodão.

Depois conta aqui para a gente como foi sua experiência.

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Seria impossível escrever sobre Maria Augusta sem o auxílio das pesquisas do amigo Diego Amaro – materializadas no livro “A Loira do Banheiro, a Dama e o Cavalheiro”.