A música clássica ganha contornos especiais quando é apresentada por Vitor Araújo. O pianista pernambucano chamou atenção em 2016 com seu álbum “Levaguiã Terê”, que funde ritmos originários com música clássica de vanguarda.
O álbum recebeu o prêmio APCA na categoria ‘Artista Revelação’. Vitor tinha apenas 19 anos e já produzia um estranhamento sedutor na música tida como erudita.
Os anos se passaram e o pianista apresentou ao público o álbum ‘TORÓ’. Neste trabalho, Vitor procura juntar a música de vanguarda européia, com elementos da percussão nordestina e música eletrônica, especialmente no que tange samples e ruídos.
A peça foi apresentada teve sua premiére no teatro Paulo Autran, em Pinheiros e lotou a capacidade do teatro em menos de 3 horas. Juntamente da OCAM, um trio de percussão, bateria e guitarra elétrica, o pianista deixou o público boquiaberto com a maneira de condensar e costurar cada uma das facetas que parecem não se bater.
Além dos diversos gêneros e elementos musicais somados, a peça também caminha entre o minimalismo da música erudita – especialmente no que se refere à repetição – mas quebra essa lógica por meio da condução, apresentando uma vertente maximalista da obra, contando vocais e até mesmo um rádio de pilha que é sintonizado ao longo de um dos números da peça.
O espetáculo soa como um lugar de pertencimento da música brasileira na vanguarda da música e rompe com os limites de um gênero que parece engessado em diversos momentos.
Vitor não teve dificuldade de flutuar entre os mares de cordas da OCAM, demonstrou estar em plena sintonia com o maestro Ricardo Bologna e seguiu com muito êxito o trio de percussão que deu uma nova cara para a música clássica.
O álbum TORÓ ganhou um filme-concerto em que a peça é executada em Amsterdam e também uma versão nas plataformas de streaming.
