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Por Nely Rossany
Elevado João Goulart, conhecido como Minhocão, une a zona oeste ao centro da Capital; eleitores podem escolher futuro do local
Elevado João Goulart, conhecido como Minhocão, une a zona oeste ao centro da Capital; eleitores podem escolher futuro do local

Povo votará futuro do Minhocão

A escolha popular em questões fundamentais costuma ser mais importante do que a decisão de meia dúzia de pessoas em um gabinete

O Minhocão deve chegar ao fim como o conhecemos. A Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta semana um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que prevê a realização de um plebiscito para a população decidir sobre o destino do Elevado João Goulart, que corta os distritos da Consolação, Santa Cecília, Perdizes e Barra Funda em uma extensão de 3,4 quilômetros.

Projetado pelo ex-prefeito Paulo Maluf, o Elevado foi inaugurado em 1971 como uma marca da sua gestão. Apesar da feiúra, o trambolho cumpriu um papel fundamental na mobilidade em uma época em que as linhas de ônibus cobriam menos a cidade e não havia ainda o Metrô como funciona hoje.

Para os bairros cortados pelo cimento, porém, o preço foi alto. Houve uma óbvia e imediata desvalorização dos imóveis do entorno. A região deixou de ser conhecida pela elegância para se tornar um cenário de degradação e buzinaço diário. Os preços dos imóveis logo despencaram.

O projeto do vereador Caio Miranda Carneiro (DEM) dá três opções para o futuro da estrutura: a construção de um parque total, a de um parque parcial ou o desmonte do viaduto, com a readequação de praças e avenidas.

A polêmica, claro, já se iniciou entre a população. Há uma parte relevante dos moradores da cidade que quer a manutenção do Minhocão para automóveis, mas isso não deve acontecer. O Plano Diretor Estratégico de 2014 determina que a circulação de carros sob a estrutura seja desativada até 2029.

Entre as opções previstas em lei, há os que defendam a criação de um parque suspenso, algo que o Minhocão já é na prática aos fins de semana. Existem ainda os que desejam o desmonte completo do viaduto, com a readequação das avenidas abaixo. Essa opção causaria um impacto gigante na região, com a imediata valorização dos imóveis.

Nesse cenário, é preciso se atentar para que isso não sirva para expulsar os moradores de baixa renda do local, que não aguentaram barulho e poluição por décadas para, simplesmente, serem expulsos do local pela construção de qualquer empreendimento imobiliário com nome em inglês.

Em 1985, os eleitores da Capital foram às urnas para decidir se Santo Amaro continuaria a ser parte da cidade. Trinta e cinco anos depois podemos ter um novo plebiscito. É muito saudável que os eleitores sejam convocados para decidir o futuro da cidade. A escolha popular em questões fundamentais costuma ser mais importante do que a decisão de meia dúzia de pessoas em um gabinete.

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