últimas notícias
Pauta da semana
Por Nely Rossany
Caipirinha de cachaça
Caipirinha de cachaça

‘Cloroquinha’

Nos resta inventar um drinque 'Cloroquinha' e concordar com o papa Francisco: 'é muita cachaça e pouca oração'

Como desgraça pouca é bobagem, mais de um ano de pandemia e com a vacinação a passos lentos e a iminência de uma terceira onda do coronavírus na Capital, agora os paulistanos estão ameaçados pela variante indiana do vírus, que seria ainda mais transmissível. Assim como na chegada do vírus ao Brasil, nada foi feito como prevenção, controle ou rastreamento de estrangeiros que chegam ao nosso país aos milhares todos os dias.

A variante indiana já está circulando há algum tempo, assim como a primeira versão do coronavírus estava circulando por aqui muito antes do registro do tal primeiro caso, em fevereiro de 2020. Existem três estratégias distintas para se controlar uma pandemia: uma é a vacinação, outra é a imunidade de rebanho e outra é a contenção. Essa terceira nunca foi aplicada de verdade por aqui e sabemos que seria algo muito difícil na prática, já que nosso território é imenso.

É humanamente impossível controlar a entrada e saída de pessoas em mais de 5 mil municípios. Porém, o que não foi feito lá atrás com a chegada do vírus começou a ser aplicado nesta semana na capital paulista. As barreiras sanitárias em aeroportos e rodoviárias mediam temperaturas, faziam perguntas e exames em passageiros vindos da Índia e de estados onde a variante já havia sido identificada.

Um esforço das autoridades para mostrar serviço, porém com pouca eficácia. Prova disso foi que nesta semana um passageiro indiano chegou ao aeroporto de Guarulhos, realizou exames e foi liberado para seguir viajando, passando por outros municípios e tendo contato com centenas de pessoas até sua chegada ao Rio de Janeiro, onde cumpre agora isolamento, pois teve o resultado positivo para a Covid-19. Anvisa e Secretaria Municipal de Saúde trocaram farpas e nenhum lado assumiu a responsabilidade pela falta de controle e organização.

tais barreiras sanitárias surtem efeito quando são realizadas com organização e protocolo rígido. Assim como foi feito na Nova Zelândia: fechamento de fronteiras, controle de transmissão pela comunidade, além de testagem em massa e isolamento. Com a confirmação deste caso em São Paulo, já são sete os infectados pela variante indiana aqui no Brasil – isso é o que as autoridades relataram. Não é a primeira vez que a humanidade passa por uma pandemia, de peste negra à gripe espanhola, e o resultado foi sempre o mesmo: ceticismo e desorganização que só findam com remédio ou vacina, ou então, em uma nova receita infalível que não cura a doença, mas engana o cérebro.

Conta a história que na época da gripe espanhola, surgiu no Brasil o que seria uma mistura eficaz contra a doença: cachaça, limão e açúcar. Foi tiro e queda para inventarmos a caipirinha, porém não curou a gripe. Só nos resta agora então inventar um drinque “Cloroquinha” e concordar com o papa Francisco. Não temos mais jeito, “é muita cachaça e pouca oração”.

Comentários

Tops da Gazeta