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Nilson Regalado

Brasil terá menor estoque de arroz em 35 anos

A previsão é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP

O Brasil vai atravessar 2020 com a menor quantidade de arroz disponível para consumo desde 1985. Isso pode levar o País a fechar a safra, em janeiro de 2021, com “apenas” 437 mil toneladas nos armazéns. A previsão é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP. E o principal motivo da redução no estoque tem sido o expressivo aumento na exportação do cereal. Tanto em 2018 quanto em 2019 o Brasil ultrapassou, com folga, a barreira de um milhão de toneladas enviadas ao exterior.

Esse volume colocou o País como segundo maior exportador do cereal no Ocidente, só atrás dos EUA. No total, 114 países importaram arroz brasileiro em 2019. Os maiores volumes foram para Peru, Iraque, Venezuela e Cuba.

O que reduz a preocupação quanto a um possível desabastecimento é a queda no consumo interno nos últimos anos devido à baixa no poder aquisitivo do trabalhador. Isso deve manter os preços em níveis razoáveis durante o ano, mesmo com redução no estoque. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento indicam produção de 10,52 milhões de toneladas de arroz neste ano. O Rio Grande do Sul é o maior produtor brasileiro do cereal.

Quem lucra com isso?

No País do agronegócio, a Petrobras resolveu fechar sua fábrica de fertilizantes no Paraná. A unidade produzia adubos nitrogenados, base para a nutrição de todas as plantas com interesse comercial. A justificativa é que a indústria dava prejuízo. Resultado: 396 trabalhadores serão demitidos.

Mais carne, menos leite.

Com o recorde nos preços da carne bovina em 2019, teve pecuarista que mandou para o abate até vacas leiteiras. Com, isso, o valor dos derivados de leite deve se manter firme neste primeiro trimestre, mesmo no auge da safra, época em que os preços tradicionalmente caem. No verão, chuvoso e com “dias mais compridos” que as noites, as vacas produzem mais leite porque há abundância de pasto, alimento mais barato para os animais que milho e soja.

Legado da agroecologia...

A saúde coletiva e o meio ambiente perderam neste início de 2020 a agrônoma Ana Maria Primavesi. Ela foi pioneira na agricultura ecológica, também chamada de orgânica e biodinâmica. A técnica valoriza a vida do solo e o manejo de plantas, sem agrotóxicos.

...em 11 livros.

Reconhecida como autoridade internacional na agroecologia, Primavesi escreveu 11 livros, um traduzido para o espanhol e outro para o alemão.

Filosofia do campo:

"Levante as palavras, não a voz. É a chuva que faz as flores crescerem, não os trovões". Jalaladim Maomé (1207-1273), poeta afegão e líder muçulmano.

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