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Repórter da Terra
Por Nilson Regalado - Colaborador
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O grão deixou de ser a ‘alegria do povão’ e o Brasil já não colhe nem o suficiente para garantir nossa feijoada
O grão deixou de ser a ‘alegria do povão’ e o Brasil já não colhe nem o suficiente para garantir nossa feijoada

Preço do feijão preto subiu 180% em um ano; carioca está 80% mais caro

As notícias do campo por Nilson Regalado

O mundo comemora na próxima quarta-feira (10), o Dia das Pulses. Para os íntimos, pulses são leguminosas que atendem pelos nomes populares de feijão, ervilha, lentilha e grão de bico. A iniciativa é da FAO, órgão da ONU que monitora a produção de alimentos e a fome no mundo. Fundamentais na alimentação humana ao longo da história, as pulses também fazem bem ao Planeta porque sequestram carbono da atmosfera e depositam no solo, o que reduz a concentração de gases causadores do aquecimento global. E elas também são sustentáveis: para se produzir um quilo de feijão são necessários ‘apenas’ 330 litros de água, enquanto um quilo de soja retira da terra 1.800 litros de água e os bovinos precisam ingerir 14 mil litros de água para que seja produzido um quilo de carne.

Apesar da tradição, o grão deixou de ser a ‘alegria do povão’ e o Brasil já não colhe nem o suficiente para garantir nossa feijoada. Dados do Instituto Brasileiro do Feijão indicam que nos últimos 12 meses a cotação do preto subiu 180% na porteira da fazenda, enquanto a saca de 60 quilos do carioca ficou 80% mais cara em um ano.

E a falta de políticas públicas que incentivem o plantio é a causa dessa inflação. Em São Paulo, plantar cana para transformar em etanol virou negócio mais lucrativo para fazendeiros. No Sul, Centro-Oeste e Nordeste, a soja e o milho vendidos em dólar dominam o cenário. E o feijão seria um importante aliado contra depressão e mau humor causados pela carestia porque ele é rico em ácido fólico, que ajuda a combater esses males...

Prepare o bolso.
O Brasil terá em 2020 a menor área plantada com café dos últimos 20 anos e a produção poderá cair até 30,5% em relação a 2020. A maior baixa deve ser nas lavouras de café arábica, de melhor qualidade. Os dados são da Conab.

‘Rebelde’, o murici é...
Aliado de nortistas e nordestinos de baixa renda, o murici possui altos teores de macronutrientes, vitamina C e carotenoides. A fruta também é rica em fibras e em gordura vegetal.

...uma joia com...
Com aroma sedutor e sabor que lembra os queijos, o murici chama atenção de chefes de cozinha ousados. No ‘cardápio’ popular, a fruta é consumida ao natural, em refrescos, sorvetes, geleias, bolos e licores.

...sabor e aroma de Brasil.
‘Rebelde’ o muricizeiro não se adapta ao plantio comercial. Porém, após anos de pesquisa, a estatal Embrapa conseguiu clonar matrizes com genética superior. É o primeiro passo para ‘domesticação’ da planta...

Filosofia do campo:
"Moro num lugar, numa casinha inocente do sertão… Tenho tudo aqui, umas vaquinha leiteira, um burro bão, uma baixada ribeira, um violão/Tenho no quintal uns pé de fruta e de flor, e no meu peito, por amor, plantei alguém… Pego meu burrão, faço na estrada a poeira levantar/Qualquer tristeza que for, não vai passar do mata-burro, ai, ai". Victor Chaves, compositor mineiro, in ‘Vida Boa’.

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