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Nilto Tatto é deputado federal pelo PT por São Paulo e toda semana aborda um tema diferente em sua coluna.
Nilto Tatto é deputado federal pelo PT por São Paulo
Nilto Tatto é deputado federal pelo PT por São Paulo

Simplesmente Natal

Neste ano a própria família fará falta durante o Natal, seja para mim a minha família, como para cada um e cada uma que, por conta do isolamento, deixará de passar as festas com seus parentes

Durante a minha infância, o Natal costumava ser uma festa familiar bastante simples. Não tenho nada contra o Papai Noel, embora ache estranha uma figura que, ao contrário de Jesus, presenteia os ricos e esquece dos pobres, mas o que eu quero dizer é que as coisas eram diferentes. Lembro, por exemplo, do presente colocado sutilmente durante a noite, enquanto todos dormiam, nas meias ou sapatos arranjados debaixo da cama especialmente para a ocasião. Às vezes me pego com saudades da simplicidade desses pequenos gestos, mas não neste ano.

Neste ano a própria família fará falta durante o Natal, seja para mim a minha família, como para cada um e cada uma que, por conta do isolamento, deixará de passar as festas com seus parentes. Nos piores casos, e não são poucos, será o primeiro Natal sem algum ente querido, vítima da Covid-19. O Brasil já perdeu quase duas centenas de milhares de cidadãos, jovens, idosos, adultos ou crianças, por conta do vírus. Quando você ler este artigo, provavelmente as taxas de transmissão e óbito ainda estarão aumentando.
Enquanto os casos sobem e lotam hospitais, da parte do poder público são poucos os municípios que adotaram medidas mais restritivas para o período das festas. Os governos Federal e do Estado de São Paulo também não se mostraram muito preocupados - parecem acomodados com o cenário tenebroso. Por isso cabe a cada um de nós lembrar que o Natal é sinônimo de vida. Ainda que seja uma tradição e carregue o simbolismo da data, o encontro com a família pode aguardar mais um pouco, a ceia, a compra e a entrega de presentes também.

O nascimento de Jesus, em uma manjedoura numa aldeia periférica da Galiléia, cercado por animais, ensina algo que pode nos salvar mais uma vez: a simplicidade. Precisamos nos manter vivos se quisermos retomar inclusive as práticas mais corriqueiras, como encontrar familiares ou passear no parque. Para isso não devemos fazer grandes reuniões, mas pequenos encontros, preservando a fé e tudo que há de melhor em cada um de nós para enfrentarmos juntos os tempos difíceis que virão.

*Nilto Tatto é deputado federal pelo PT por São Paulo

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