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Nilto Tatto é deputado federal pelo PT por São Paulo e toda semana aborda um tema diferente em sua coluna.
Nilto Tatto é deputado federal pelo PT por São Paulo
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Ministro de bolso

Se a queda de Salles foi motivo de comemoração, não podemos nos descuidar, porque o nome que passou a ocupar o seu lugar não traz esperança de dias melhores

Enquanto ocupou a pasta, o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, jamais atuou na defesa do patrimônio socioambiental brasileiro. Muito pelo contrário: à frente de um dos ministérios mais importantes do País, levou os índices de queimadas e desmatamento às alturas; assim como o contrabando de madeiras, sem falar nas invasões de terras indígenas, áreas de conservação e do aumento da violência no campo e nas florestas.

Cada um desses pontos já seria motivo suficiente para a queda de um ministro, mas curiosamente, seu pedido de afastamento se deu por outra razão: as investigações da Polícia Federal (PF) sobre os crimes cometidos por Salles e as consequentes denúncias no Supremo Tribunal Federal (STF), respingaram na imagem do presidente da República. Os desdobramentos da CPI da Covid já tem causado muita dor de cabeça para Bolsonaro, que vê seus crimes serem desnudados diariamente e precisava de uma cortina de fumaça para tocar seus projetos.

Se a queda do pior ministro que já ocupou a pasta do Meio Ambiente foi motivo de comemoração da oposição, não podemos nos descuidar, porque o nome que passou a ocupar o seu lugar, do ruralista Joaquim Álvaro Pereira Leite, não traz esperança de dias melhores. Salles foi o grande responsável pela fragilização do Sistema Ambiental Brasileiro, abrindo o caminho para a boiada passar. A expectativa do governo agora, é que Pereira Leite conduza o rebanho por esta travessia, sem grandes desvios de rota, rumo à devastação total.

A queda de um dos ministros mais blindados do governo Bolsonaro chamou tanta atenção da opinião pública que ofuscou um fato extremamente grave para a vida dos povos indígenas e a conservação das nossas florestas: a aprovação do PL 490/07 na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Apesar de representar um destino terrível para a Amazônia e os povos que ali habitam, bem como para toda a vida no Planeta, perto da demissão do ministro a notícia virou nota de rodapé, como queriam os ruralistas, que continuam com um ministro do meio ambiente no bolso.

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