Polícia investiga repasses à família de Jucá

São investigados, de forma preliminar, a atual mulher de Jucá, Rosilene Brito, e dois filhos do senador com Germana de Holanda, sua primeira mulher, Rodrigo e Marina Por Folhapress

Repasses feitos a parentes ou a empresas da família do senador Romero Jucá (MDB-RR) viraram alvo de investigação da Polícia Civil de Roraima, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro nas transações, segundo documentos obtidos pela reportagem.

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As transferências foram consideradas atípicas pelo Coaf (órgão do Ministério da Fazenda que controla atividades financeiras) e informadas, a pedido, à polícia.

São investigados, de forma preliminar, a atual mulher de Jucá, Rosilene Brito, e dois filhos do senador com Germana de Holanda, sua primeira mulher, Rodrigo e Marina. O procedimento, aberto no início deste ano, corre em sigilo.

Ano passado, Rodrigo e Marina foram alvo de uma operação da Polícia Federal que investigava desvio de verbas públicas. Eles negam ter cometido irregularidades.

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Na investigação da Polícia Civil, uma das transações relatadas como merecedora de “análise minuciosa” é um depósito de R$ 572 mil na conta da Buritis Comunicações Ltda., afiliada da Rede Bandeirantes no estado, que pertence a Rosilene e a Rodrigo Jucá.

A transferência foi feita pela Oliveira Energia, empresa de Manaus que arrematou a distribuidora da Eletrobras em Roraima em leilão de 30 de agosto, pelo valor simbólico de R$ 50 mil.

No mesmo dia, Jucá divulgou uma nota pública negando ser sócio de qualquer firma do setor elétrico e listando benefícios da transação.

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Além do repasse à Oliveira, a polícia também apura depósito de R$ 151 mil da Fenixsoft Gestão de Softwares a Marina Jucá.

A empresa firmou três convênios nos últimos anos com a Prefeitura de Boa Vista, gerida por outra ex-mulher do senador, Teresa Surita (MDB).

O Coaf ainda levanta suspeitas sobre movimentações em espécie ou sem justificativas feitas tanto por Marina como pela Buritis Comunicações.

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Em um trecho de perícia da Polícia Civil, é dito que o Coaf informou que “a sra. Marina de Holanda Menezes Jucá foi objeto de comunicação com o valor total de movimentação financeira de R$ 4.192.615, em sua conta corrente no Banco Bradesco em Boa Vista, movimentação atípica, já que ela declarou renda mensal de apenas R$ 30 mil”.

Há, ainda, duas comunicações do Coaf que apontam que Rosilene Brito comprou vestidos de luxo por meio de depósitos não identificados no ano passado, que custaram aproximadamente R$ 65 mil. O Coaf diz que há “sérios indícios” de ocorrência de crime de lavagem de dinheiro.

Jucá era o líder do governo Michel Temer no Senado até o último dia 27, quando deixou o posto. Ele concorre à reeleição. Já a atual gestão de Roraima, que comanda a Polícia Civil, é governada por Suely Campos (PP), que faz oposição ao emedebista.

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OUTRO LADO

Procurado, o senador Romero Jucá disse por meio de nota que não tem empresa em seu nome, não é sócio em negócios e não interfere na administração das empresas de seus filhos.

A nota diz que ele recebeu a demanda da reportagem com surpresa e afirma que a divulgação do material tem por objetivo “tentar atingir a imagem do senador que concorre à reeleição e sempre manteve uma postura de oposição crítica à governadora Suely Campos”.

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Jucá diz que não foi procurado pela Polícia Civil para esclarecimentos e critica o que chama de “total falta de seriedade do comando” do órgão.

“O senador reafirma que não tem nenhuma relação com a Oliveira Energia. Assim como outros parlamentares ele participou da Comissão de Constituição e Justiça que analisou a constitucionalidade da venda das subsidiárias de energia do país”, diz a nota.

“A operação em que a Oliveira arrematou a subsidiárias de Roraima foi feita em um leilão público na Bolsa de Valores de São Paulo, comandado pelo BNDES, transmitido pelos veículos de comunicação e aberto para empresas nacionais e internacionais.”

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A Buritis Comunicações afirma que mantém rigoroso controle financeiro com registros de notas fiscais e mapas de mídia de todos os seus clientes. Também diz que recebe pagamentos de anunciantes de todo o país. A Oliveira, afirma, manteve contrato de mídia até janeiro de 2017.

A análise dos documentos, informa, está à disposição dos órgãos de fiscalização.

A reportagem procurou a Oliveira Energia durante a manhã e a tarde da quinta (6). Ninguém atendeu aos telefonemas e o email de contato publicado no site da empresa não funcionava e retornou as mensagens.

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O BNDES, que fez o leilão da distribuidora, disse que a vendeu por valor simbólico porque a dívida assumida pela empresa foi avaliada em R$ 342 milhões a mais do que o valor da companhia.

Marina Jucá diz que “os valores questionados se referem aos pagamentos que recebeu quando foi diretora comercial da Rede Triângulo Modas, uma antiga rede de varejo, pertencentes à Fenixsoft. Todos os valores recebidos foram declarados em seu imposto de renda”. Contatada, a Fenixsoft não se manifestou. A Prefeitura de Boa Vista diz que não há relação que justifique a suspeita sobre a Fenixsoft.