Após pressão, Haddad volta à base petista para diminuir rejeição ao partido

A campanha admite que vencer Bolsonaro é "difícil", mas trabalha para que a redução na rejeição de Haddad chegue com força nas periferias das grandes cidades e no Nordeste Por Folhapress De São Paulo

Foi sob pressão de dirigentes do partido – e também de aliados de fora dele – que o candidato do PT ao Planalto, Fernando Haddad, resolveu voltar às bases petistas para tentar uma virada histórica na reta final do segundo turno.

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A campanha admite que vencer Jair Bolsonaro (PSL) é um cenário “bastante difícil”, mas trabalha para que a redução na rejeição de Haddad – de 47% para 41%, segundo o Ibope – chegue com força nas periferias das grandes cidades e, principalmente, no Nordeste.

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A avaliação é que, caso a vitória não seja possível, o tamanho da derrota fará diferença e que, portanto, é importante unir a militância para tentar reduzir a vantagem do capitão reformado até domingo (28).

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Desde o primeiro turno, o petista tem perdido terreno para seu adversário em um eleitorado que, tradicionalmente, sempre votou no partido do ex-presidente Lula e tem sido aconselhado a se voltar para essas pessoas na reta final da campanha.

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Segundo Ibope divulgado na terça-feira (23), Bolsonaro foi de 59% para 57% e Haddad, de 41% para 43%.

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Nesta quinta (25) e sexta-feira (26), por exemplo, Haddad deve ir a Pernambuco, Paraíba e Bahia e terminar a campanha em um ato em São Paulo, no sábado (27).

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As pesquisas mostram que o petista ultrapassou o capitão reformado na capital paulista, o que deu novo ânimo para a campanha de Haddad.

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O candidato do PT insiste desde o início do segundo turno em fazer acenos à centro-direita e atrair nomes como o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para compor uma frente democrática contra Bolsonaro – até agora sem sucesso.

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Dirigentes do PT e o rapper Mano Brown, por exemplo, pressionaram Haddad a se voltar ao eleitor mais pobre que, nas palavras de um líder do partido, “vazou para Bolsonaro” ainda no primeiro turno.

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Em discurso num ato no Rio, na noite de terça (23), Brown disse achar que a eleição já está decidida – Bolsonaro tem pelo menos 14 pontos a mais que Haddad, segundo as pesquisas – e afirmou que se o PT “não conseguiu falar a língua do povo, tem que perder mesmo”.

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No dia seguinte, Haddad reconheceu a crítica e afirmou, em São Paulo, que precisa “se reconectar com a periferia, com a dor das pessoas”.

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A aparente contradição de Haddad ao tentar atrair o centro ao mesmo tempo em que acena ao eleitor mais pobre deve seguir até o último minuto do segundo turno.

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Auxiliares do petista ainda esperam um aceno explícito de apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e até de Ciro Gomes (PDT), conforme publicou a Folha de S.Paulo.

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Em reunião na semana passada, Haddad foi convencido a anunciar medidas sócio-econômicas exatamente direcionadas ao eleitorado petista e, em agendas no Nordeste, falou que, se eleito, aumentará em 20% o Bolsa Família e colocará um teto no preço do botijão de gás no valor de R$ 49.