Impostômetro bate R$500 bilhões em menos de três meses

O valor chegou cinco dias antes do que em 2018, quando 150 dias de trabalho foram apenas para pagar impostos Por Vanessa Pimentel De Santos

Vamos supor que você vá ao mercado comprar alguns produtos para a cesta da semana: mandioquinha para um purê, tomate e alho para um molho, 200 gramas de mussarela e de presunto para um lanche, mais alguns alimentos comuns na mesa do brasileiro, como frango, alface, arroz e um pacote de biscoito. A compra sai em média R$ 80, mas o valor real seria R$ 64, já que cerca de R$ 16 são impostos, descritos sempre na parte inferior das notas. Já se gastar R$ 30 em remédios, R$ 7,50 vão para o governo.

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Geralmente, as notas especificam o valor destinado aos tributos federais, estaduais e municipais, arrecadados pelo governo para serem revertidos em educação, segurança, saúde, transportes, entre outros serviços.

Porém, o modelo tributário no Brasil é criticado por especialistas porque a carga tributária é concentrada de forma desproporcional em impostos sobre o consumo, ou seja, ricos e pobres pagam os mesmos valores.

Em 2018, segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), o brasileiro gastou em média 150 dias trabalhando para pagar impostos. Neste ano, de 1º de janeiro a 9 de março, já foram para os cofres públicos meio trilhão de reais, valor registrado pelo Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A marca de R$ 500 bilhões chegou cinco dias antes do que em 2018.

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Desse valor, 59% correspondem a tributos federais, 29% estaduais e 12% municipais. “Chama a atenção essa alta porcentagem de 59% que vai para a União, enquanto os municípios ficam com apenas 12% da arrecadação brasileira. É nos municípios que as pessoas vivem, moram, trabalham. Por isso, eles precisam ter condições de investir em saúde, saneamento, transporte, educação, segurança e tantos outros serviços que exigem bastante dinheiro”, avalia Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Já para Diogo Paiva Magalhães Ventura, especialista santista em Direito Tributário e Empresarial, embora o Impostômetro indique que o maior arrecadador é a União, é importante destacar que há determinação constitucional para repartição dessas receitas entre os Estados e Municípios, ainda que não sejam seus arrecadadores diretos.

“A questão da fiscalização dos tributos também poderia ficar prejudicada se simplesmente fossem acumulados sob competência dos municípios. Isso poderia dar margem a descontroles fiscais e até mesmo corrupção, o que eventualmente causaria prejuízos ainda maiores à população”, analisa.

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De outro lado, ele diz que é questionável a proporção entre a arrecadação e o retorno à população e empresários e considera necessário reformular o sistema tributário atual.

Para Nathália Moura Sant’Anna, mestranda em Direito Internacional, o Brasil aponta uma média de arrecadação bem superior aos demais países emergentes, no entanto, as nações que encabeçam a lista possuem índices muito maiores de retorno destes tributos à população.

Notas

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A reportagem do Diário do Litoral analisou algumas notas para verificar os valores pagos em impostos. A compra de dois refis de lâminas para barbear, por exemplo, saiu por R$53,90, mas só de taxas foram R$ 22,72: R$ 13,02 de tributos federais e R$ 9,70 estaduais.