Arena Corinthians apresenta falhas em sua fachada externa e infiltrações

Placas de granito pretas, que compõe a parede do setor onde ficam as bilheterias, o acesso à loja de materiais esportivos e à academia, estão se descolando e podem cair Por Folhapress De São Paulo

Palco da final do Campeonato Paulista entre Corinthians e São Paulo, neste domingo (21), o estádio do time alvinegro, em Itaquera, apresenta falhas em sua fachada externa, do lado oeste.

Continua após a publicidade

Placas de granito pretas, que compõe a parede do setor onde ficam as bilheterias, o acesso à loja de materiais esportivos e à academia, estão se descolando e podem cair.

Em dias de jogos, o local onde as falhas foram encontradas costuma ter a circulação de pessoas com acesso às arquibancadas oeste superior, inferior central, inferior lateral e inferior corner.

O problema foi relatado à Folha de S.Paulo por torcedores que frequentam a arena. A reportagem esteve no local acompanhada do diretor do Instituto de Engenharia e especialista em perícias, Marco Antônio Gullo, que constatou o risco de queda no revestimento.

Continua após a publicidade

“É possível afirmar que parte do acabamento está comprometida. Foi observado o descolamento de algumas placas em granito, sem ocorrer o destacamento”, apontou o engenheiro. “O risco à segurança dos visitantes deve ser considerado, especialmente pelo elevado peso e pela altura do revestimento.”

Gullo aponta, ainda, as possíveis causas para o surgimento das falhas. “Deficiência na capacidade de aderência do sistema de fixação, no caso aparentemente em argamassa”. Ele diz também que a instalação “pode ter sido executado com material inadequado ou com mão de obra desqualificada para o tipo de serviço.”

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Corinthians reconheceu a existência do problema no local e disse que já está tomando as medidas necessárias para corrigi-lo.

Continua após a publicidade

“O clube está ciente e os problemas estão dentro do cronograma de manutenção da arena. O setor de manutenção predial já está tomando as devidas providências e executando os reparos”, diz o clube.

Durante a visita ao local, a reportagem constatou, ainda, pontos com infiltrações no teto do corredor externo, onde também não há a presença de um corrimão central em uma rampa com mais de três metros de largura, assim como a ausência de pisos táteis.

“Dispositivos exigidos por força de lei que facilitariam o acesso por deficientes visuais à loja e aos demais estabelecimentos”, explica Marco Antônio Gullo, que afirmou que o desprendimento desse tipo de placa não é muito raro.

Continua após a publicidade

“Dizer que é comum seria exagero, contudo nossa experiência mostra que não é muito raro”, disse.

Apesar do risco de desprendimento, ele afirma que não acredita ser necessária a interdição do estádio para a manutenção do local.

“Nas condições em que foram constatadas, as manutenções podem ser executadas isolando os trechos em obra”, disse.

Continua após a publicidade

O estádio do Corinthians foi inaugurado em maio de 2014, com a partida entre Corinthians e Figueirense, pelo Campeonato Brasileiro. O duelo foi realizado 25 dias antes de o local receber o jogo de abertura da Copa do Mundo, entre Brasil e Croácia.

Em 2019, a arena vai completar cinco anos desde sua inauguração. Em maio, expira o período de garantia obrigatória da obra, previsto no artigo 118 do Código Civil. A construção do estádio foi executada pela Odebrecht.

Ainda de acordo com a assessoria do Corinthians, o clube precisou acionar a construtora para fazer reparos em outras áreas do estádio.

Continua após a publicidade

“A Odebrecht já foi acionada para alguns casos e, nesta semana, já está realizando alguns reparos na Arena Corinthians, como nas escadas e estruturas metálicas das fachadas”, diz a assessoria.

“Neste mês será iniciada a reforma das escadas norte e sul”, acrescenta.

Localizado no bairro de Itaquera, na zona leste da capital paulista, o estádio do Corinthians tem custo estimado superior a R$ 1 bilhão.

Continua após a publicidade

A dívida pela construção é divida em duas partes. O Corinthians tem o financiamento da obra feito junto ao BNDES e repassado pela Caixa Econômica Federal e um débito com a própria construtora do estádio.

Em fevereiro, a Folha de S.Paulo mostrou que até o início deste ano o clube havia pago R$ 125 milhões ao banco estatal e ainda devia mais R$ 425 milhões. Além da Caixa, o Corinthians deve à Odebrecht um valor estimado em R$ 800 milhões. A diretoria corintiana, no entanto, contesta este montante e negocia com a empresa o abatimento de partes da obra que não teriam sido executadas.


*Por Luciano Trindade, da Folhapress