STF não concede foro especial ao deputado Marco Feliciano em caso contra Caetano Veloso

A queixa-crime se refere a declarações dadas pelo deputado ao programa "Pânico", da rádio Jovem Pan, em 2018. Na declaração, Feliciano acusou Caetano de ter estuprado sua mulher Por Folhapress De São Paulo

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu não conceder foro especial ao deputado federal Marco Feliciano (Podemos-SP) no caso da queixa-crime por difamação e injúria apresentada contra o parlamentar pelo cantor Caetano Veloso.

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A decisão, tomada pelo ministro na última quinta-feira (25), foi divulgada no Diário da Justiça Eletrônico na sexta (26).

A queixa-crime se refere a declarações dadas pelo parlamentar ao programa “Pânico”, da rádio Jovem Pan, em 20 de março de 2018. Então, Feliciano acusou Caetano de ter estuprado sua mulher, a produtora Paula Lavigne, quando ela tinha 13 anos e ele, 40. “Pela lei, isso é estupro de vulnerável”, disse o parlamentar na entrevista.

A defesa de Feliciano havia requerido ao STF que o parlamentar tivesse direito ao foro especial, ou seja, que fosse julgado pelo órgão colegiado, e não em primeira instância. O argumento era de que o deputado fora convidado a participar do programa por sua atuação no Congresso.

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Na decisão em que declina da competência do STF no caso, Barroso afirma que as afirmações aconteceram fora do debate político, não se relacionando com o ambiente parlamentar. Também pede à defesa de Caetano que se manifeste acerca do foro competente para o prosseguimento do caso.

O embate judicial entre Caetano e Feliciano começou em dezembro de 2017, quando o cantor protocolou uma petição contra o político e pastor por calúnia, difamação e injúria. Dois meses antes, Feliciano tinha publicado uma postagem no Twitter acusando Caetano de estupro da ex-mulher e pedindo sua prisão à PGR (Procuradoria-Geral da República).

Segundo a defesa do músico, na época, Feliciano também teria incentivado seus seguidores a propagar uma foto de Caetano acompanhada do texto “Senado aprova PEC que torna estupro crime imprescritível. Lavigne perdeu virgindade aos 13 com Caetano”.