Operação da PF caça 11 pessoas por lavagem de R$ 6,5 bilhões do tráfico de drogas

Segundo a PF, as contas bancárias das empresas controladas pela organização investigada movimentaram mais de R$ 6,5 bilhões de origem ilícita no período de 2010 a 2018 Por Estadão Conteúdo

A Polícia Federal e a Receita deflagraram nesta quinta (8) a Operação Miopia, para desarticular uma organização criminosa transnacional especializada em lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo a PF, as contas bancárias das empresas controladas pela organização investigada movimentaram mais de R$ 6,5 bilhões de origem ilícita somente no período de 2010 a 2018

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Agentes federais cumpriram 26 ordens judiciais, sendo 11 mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão em Foz do Iguaçu e São Paulo.

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A PF informou em nota que as medidas judiciais foram expedidas pela 9.ª Vara Federal de Curitiba.

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As investigações, resultado de quatro inquérito policiais, tiveram como foco quatro grupos que “agiam de forma autônoma e/ou interdependente e utilizavam contas bancárias de interpostas pessoas, física e jurídica fantasma, para receber vultosos valores de interessados em adquirir mercadorias, drogas e cigarros provenientes do exterior, especialmente do Paraguai”

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O dinheiro “sujo” era creditado nas contas controladas por cada um dos grupos investigados, no Brasil, e posteriormente utilizado para pagar, em reais, aqueles que disponibilizaram moeda estrangeira no Paraguai (operações dólar-cabo) e/ou enviado para o exterior por intermédio de ordens de pagamento internacionais emitidas por instituições financeiras diversas.

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“Essas ordens de pagamento eram realizadas com base em contratos de câmbio manifestamente fraudulentos, celebrados com empresas ‘fantasmas’ que nem sequer possuíam habilitação para operar no comércio exterior”, destaca a investigação.

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Miopia é um desdobramento da Operação Hammer On, deflagrada pela Polícia Federal e pela Receita em Foz, em 2017.

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Segundo a PF, na Miopia, além da investigação abranger os operadores financeiros e seus clientes – traficantes, empresários, ‘cigarreiros’ do Brasil e seus pares no Paraguai -, foram identificadas as instituições financeiras que deixaram de cumprir regras de compliance e possibilitaram que milhões de reais de origem espúria fossem remetidos para o exterior.

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“Os responsáveis por essas instituições financeiras fechavam operações de câmbio sem se preocupar com a origem dos valores que lhes eram remetidos, condutas essas que revelam que tinham uma visão míope do real cenário em que operavam”, assinala a força-tarefa.

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Inicialmente, dois dos grupos investigados transferiam valores para empresas importadoras “fantasmas” e, em seguida, sob o pretexto de pagar importações fictícias, contava com o auxílio de determinadas instituições financeiras (corretoras de câmbio) para remeter esses recursos para o exterior, especificamente para as contas bancárias tituladas pelos fornecedores das empresas paraguaias.

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Os responsáveis por estas instituições financeiras fechavam operações de câmbio, sem se preocupar com a origem ilícita dos valores. Nesse caso, a remessa para o exterior ocorre com a finalidade precípua de concluir o pagamento em benefício das exportadoras chinesas e americanas para quem a casa de câmbio paraguaia incumbiu-se de enviar os dólares que lhe foram entregues, em espécie, por grandes empresas paraguaias, importadoras.

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Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e operação irregular de instituição financeira.