Indicado à PGR, Aras deve fazer ressalvas à Lava Jato e abordar economia a senadores

Os encontros serão preparatórios para a sabatina no Senado a que o subprocurador-geral precisa se submeter antes de ser nomeado Por Folhapress

Nas visitas a senadores que começarão nesta segunda-feira (9), o indicado por Jair Bolsonaro (PSL) para comandar a PGR (Procuradoria-Geral da República), Augusto Aras, deverá defender a Lava Jato como política de Estado, mas sem o personalismo que, segundo ele, a revestiu – repetindo a crítica que tem feito publicamente.

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Aras deve passar os próximos 15 dias peregrinando pelos gabinetes de 80 senadores. Com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), ele já conversou pessoalmente.

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Os encontros serão preparatórios para a sabatina no Senado a que o subprocurador-geral precisa se submeter antes de ser nomeado. A expectativa de Aras é estar pronto para ser sabatinado por volta do dia 24 de setembro, segundo interlocutores.

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Os diálogos entre procuradores da Lava Jato obtidos pelo site The Intercetp Brasil e eventuais excessos da operação, a macrocriminalidade – incluindo o pacote anticrime proposto pelo ministro Sergio Moro (Justiça) -, a lei de abuso de autoridade e questões econômicas também estão na lista de assuntos que Aras espera abordar, se indagado pelos parlamentares.

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A pauta econômica, por exemplo, deve predominar nas conversas com senadores oriundos de estados onde é forte o agrobusiness. As visitas serão agendadas com os gabinetes por meio da assessoria parlamentar da PGR.

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Além de Alcolumbre, Aras já falou por telefone com a senadora Simone Tebet (MDB-MS), presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde a sabatina é realizada. Em seguida, o nome segue para o plenário, que precisa aprová-lo por maioria.

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Aras também conversou com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. O ministro não comentou publicamente a escolha de Aras para a PGR. Segundo pessoas próximas, o subprocurador-geral tem elogiado Toffoli e dito que sua postura neste e em outros temas é a de um “estadista”.

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O magistrado tem se mostrado um aliado do presidente Bolsonaro em pautas importantes do governo, como a reforma da Previdência.

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Pela primeira vez em 16 anos um presidente da República despreza a lista tríplice, formada a partir de uma eleição interna no Ministério Público Federal, e indica para o comando da instituição alguém que não teve o voto dos colegas. Aras não disputou o pleito. A reação da categoria foi uma enxurrada de queixas nas redes sociais e uma nota da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) que classificou a indicação como um “retrocesso democrático e institucional”, por causa do desrespeito à lista tríplice.

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Seguir a lista não é uma obrigação legal, mas tinha se tornado uma tradição. Para defensores da eleição interna, a lista ajuda a garantir a independência da PGR em relação ao Executivo. Para Aras, diferentemente, a disputa levou para o MPF todos os vícios de uma eleição, como o clientelismo e o toma lá dá cá.

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Segundo relatos, o subprocurador-geral tem avaliado que as resistências a seu nome estão principalmente entre procuradores mais jovens que atuam na primeira instância. A expectativa do entorno de Aras é que as críticas diminuam depois da sabatina no Senado, ocasião em que ele vai expor formalmente sua visão sobre temas importantes.

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Aras tem dito, segundo relatos, que não vai reagir às manifestações contrárias a seu nome enquanto não as considerar ofensivas, por fazerem parte do ambiente democrático.

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Apesar do tom pacificador, ele continua a dizer a interlocutores que tem incomodado parte dos membros do MPF porque prometeu combater o sindicalismo e o corporativismo na instituição -discurso que irrita seus opositores.

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O QUE FAZ UM PROCURADOR-GERAL

É o chefe do MPF e representa a instituição junto ao STF e ao STJ. Também tem atribuições administrativas ligadas a outras esferas do Ministério Público da União (que inclui também Ministério Público Militar, Ministério Público do Trabalho e Ministério Público do Distrito Federal e Territórios).

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PRÓXIMOS PASSOS

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Sabatina
Para ser oficializado no cargo, Aras precisa ser sabatinado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, formada por 27 senadores. A sessão ainda não foi marcada.

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Votação na CCJ
Após a sabatina de Aras, os 27 senadores da comissão votam para decidir se aprovam seu nome para a PGR.

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Votação no plenário
O parecer da CCJ é encaminhado ao plenário, onde Aras precisará de maioria absoluta (41 senadores) para ser aprovado.

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Prazo
Não há prazo para o Senado iniciar a análise do nome de Aras. Se ele não for aprovado pelo plenário até 17 de setembro, quando termina o mandato da atual procuradora-geral, Raquel Dodge, assume a PGR interinamente o vice-presidente do Conselho Superior do MPF, Alcides Martins.