Em três dias de ofensiva turca, 100 mil pessoas deixaram suas casas na Síria

A maior parte das pessoas que fugiram são civis curdos que seguem dentro da Síria e se dirigiram para as cidades mais ao sul da fronteira com a Turquia Por Folhapress De São Paulo

A ofensiva militar feita pela Turquia contra a minoria curda no nordeste da Síria segue crescendo e já fez ao menos 100 mil pessoas abandonarem suas casas de acordo com a ONU, em meio a um temor de uma crise humanitária na região.

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O número foi divulgado nesta sexta-feira (11), mesmo dia em que as tropas turcas chegaram nas proximidades de Kobani, a principal cidade da região que ainda não tinha sido alvo de ataques.

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Os ataques turcos estão concentrados no lado sírio da fronteira entre os dois países e se estendem por 400 km, de Ain-Diwar, na divisa com o Iraque no leste, até Kobani, a mais de 400 km a oeste.

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A maior parte das pessoas que fugiram são civis curdos que seguem dentro da Síria e se dirigiram para as cidades de Al Hassakeh e Tal Tamer, ambas um pouco mais ao sul da fronteira com a Turquia.

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O conflito na região começou na quarta (9), quando Ancara deu início a ataques aéreos e terrestres contra os curdos na Síria depois do presidente americano, Donald Trump, retirar os soldados da região e anunciar que não iria interferir na ação.

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A medida foi interpretada como uma traição de Washington, já que os curdos são há anos aliados dos americanos na luta contra o Estado Islâmico na região.

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Por isso, Trump vem fazendo sugestões de que pode mediar o conflito, depois de ser acusado de abandonar os curdos – o que levou o próprio Partido Republicano questioná-lo.

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A disputa opõe as tropas turcas e seus aliados do Exército Livre da Síria (FSA, um grupo rebelde) aos curdos, reunidos principalmente em uma coalizão de milícias locais chamada SDF (Forças Democráticas da Síria).

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Não está claro qual a quantidade exata de mortos no conflito, já que os diferentes lados fornecem dados discrepantes. Apesar disso, todos concordam que o número de vítimas tem aumentado.

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Segundo a ONG britânica Observatório Sírio de Direitos Humanos, sete civis foram mortos nesta madrugada, além de 32 membros das SDF, 34 da FSA e um militar turco.

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Já de acordo com a Anadolu, a agência estatal de notícias turca, 342 militantes curdos foram mortos em três dias. O Crescente Vermelho (versão islâmica da Cruz Vermelha) contabiliza 11 mortos desde o início do conflito.

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Os principais enfrentamentos entre as forças turcas e as SDF na noite desta quinta (10) aconteceram em Qamishli e nove vilarejos foram cercados nos arredores de Ras al Ain e Tel Abyad.

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Uma dos temores causados pela ação turca é que integrantes do Estado Islâmico (EI), que ainda atua na região, fujam e se reorganizem.

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O comando dos curdos no norte da Síria acusou a Turquia de atacar uma prisão onde estavam detidos ex-combatentes do Estado Islâmico, em Chirkin. Nessa cadeia, havia presos de mais de 60 nacionalidades diferentes.

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Por outro lado, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou liberar mais de 3 milhões de refugiados para entrarem na Europa caso sua operação militar seja questionada.

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A Turquia é o país com mais refugiados no planeta segundo a Acnur (a agência da ONU destinada ao assunto).

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O país fez um acordo com a União Europeia para manter milhões de sírios que fugiam da guerra civil, diminuindo assim o fluxo deles para os países do bloco.