Os últimos dias do presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, têm sido dominados por reuniões e conversas com conselheiros. O rendimento abaixo do esperado da equipe, que não vence há quatro partidas no Brasileiro, fez a pressão interna sobre o dirigente aumentar substancialmente.
Até mesmo em encontro com bases aliadas, os pedidos foram de reformulação. Por isso, a situação do executivo de futebol do clube tricolor, Raí, mudou: agora, a renovação de contrato do ídolo são-paulino está ameaçada.
O desempenho da equipe nestes últimos jogos e uma classificação direta para a fase de grupos da Copa Libertadores devem contar pontos para a decisão de Leco, que só deve ser tomada ao fim do Nacional. Mas, entre pessoas da base aliada, já é cogitada até a substituição de Raí por um conselheiro, em vez de um profissional remunerado.
Antes, o mandatário havia acenado com a possibilidade de renovação do vínculo, que termina no fim deste ano. Existia até a possibilidade de o acordo ter um formato diferente do atual – com a redução do valor atual pago mensalmente para o dirigente, mas com bônus por metas alcançadas.
Leco faz uma avaliação positiva do trabalho do ex-jogador, porém, internamente, ele é questionado pelas mudanças constantes de treinador, pela demissão de Diego Aguirre a cinco rodadas do fim do Brasileiro de 2018, por contratações caras como a de Diego Souza, hoje emprestado ao Botafogo, e pela falta de títulos.
Ainda é cobrada uma postura mais incisiva do campeão mundial de 1992. Por isso, há quem diga no Morumbi que Raí corre mais risco de perder o cargo do que o técnico Fernando Diniz.
Para pessoas próximas, o presidente disse que mudanças serão feitas no departamento de futebol após o encerramento da temporada. No primeiro semestre, porém, também havia a expectativa de que uma reformulação fosse promovida no setor, mas apenas trocas pontuais foram efetuadas.
Quando acertou as bases com o time tricolor, em dezembro de 2017, Raí assinou vínculo de dois anos com salário fixo. Para fechar logo a transação e nos termos atuais, o nome do ex-jogador nem sequer passou pela aprovação do Conselho de Administração na época – algo previsto no estatuto do clube para cargos de direção executiva.
Como a gestão Leco termina no fim de 2020, o novo contrato com o executivo de futebol deve ter a mesma duração. Além de Raí, o departamento conta hoje com o Alexandre Pássaro, gerente executivo, e Fernando Chapecó, diretor-adjunto.