Alerta do clima: como o novo El Niño pode agravar enchentes e ondas de calor

Com 80% de chance, fenômeno, segundo especialista, pode trazer temporais e secas extremas ao Brasil a partir do 2º semestre

Há chances distribuídas entre um evento moderado, forte ou muito forte, diz Hiremar

Há chances distribuídas entre um evento moderado, forte ou muito forte, diz Hiremar | Dênio Simões/MIRD

A possibilidade de formação do fenômeno El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027 tem aumentado as discussões sobre os impactos climáticos no Brasil. Apesar do debate sobre um possível ‘Super El Niño’, especialistas afirmam que ainda é cedo para classificar o evento como extremo.

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Segundo o meteorologista Hiremar Soares, professor de Aviação da Universidade Anhembi Morumbi, os modelos climáticos indicam alta probabilidade de formação do El Niño no segundo semestre de 2026.

“De acordo com dados oficiais mais recentes (maio de 2026) da NOAA e dos órgãos oficiais brasileiros (INPE/INMET) indicam uma probabilidade superior a 80% de que o fenômeno El Niño se configure no segundo semestre de 2026. No entanto, os modelos numéricos ainda mostram grande incerteza sobre a sua intensidade”, disse.

Impactos no Brasil

Historicamente, os impactos do El Niño começam a ser sentidos no Brasil durante a primavera e ganham força ao longo do verão do hemisfério sul, entre o fim de 2026 e o início de 2027.

Segundo o meteorologista, o padrão climático mais comum durante episódios do fenômeno envolve redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste, aumento do volume de precipitação no Sul e temperaturas acima da média no Centro-Oeste e Sudeste.

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Hiremar afirma ainda que o El Niño pode aumentar o risco de temporais, enchentes, deslizamentos, ondas de calor e períodos de seca em diferentes regiões do país.

“O fenômeno altera os padrões de circulação global e atua como um potencializador de riscos”, afirma.

“Super El Niño”

Segundo Hiremar, ainda é cedo para classificar o possível El Niño de 2026/2027 como um evento “Super“.

“Há chances distribuídas entre um evento moderado, forte ou muito forte; portanto, falar em ‘Super’ hoje carece de sustentação estatística definitiva”, afirmou.

O meteorologista explica que a classificação do fenômeno é baseada na temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial.

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De acordo com ele, eventos considerados muito fortes acontecem quando as anomalias de temperatura ultrapassam os 2°C por vários meses consecutivos, como ocorreu nos episódios registrados entre 1997/1998 e 2015/2016.

Força do El NiñoDivulgação/Geoclimas

Monitoramento

Segundo o especialista, atualmente os meteorologistas acompanham o comportamento do oceano e da atmosfera no Pacífico Equatorial para identificar se há sinais de fortalecimento do fenômeno climático.

“Atualmente, observamos uma transição real: as águas subsuperficiais do oceano estão aquecendo de forma consistente, e a atmosfera começou a responder a essa mudança”, informou Hiremar.

Entre os principais indicadores monitorados está o Índice de Oscilação Sul (IOS), calculado pela NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos. O índice mede a diferença de pressão atmosférica entre o Taiti e Darwin, na Austrália.

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De acordo com Hiremar, os dados mais recentes indicam uma transição gradual para o El Niño, mas ainda sem sinais de comportamento extremo.

Efeitos globais do El NiñoEfeitos globais do El Niño – Fonte : CPTEC (http://enos.cptec.inpe.br/)

Rio Grande do Sul

Ao comentar sobre a possibilidade de novos episódios extremos no Sul do país, o meteorologista afirma que o aumento das chuvas durante o El Niño eleva o risco de eventos severos, mas ressalta que não é possível prever tragédias específicas com meses de antecedência.

Eventos extremos como os de 2024 dependem de uma combinação de fatores de curto prazo, como frentes frias travadas e forte transporte de umidade da Amazônia”, explica.

Super El Niño ”exagerado”?

Sobre o exagero nas discussões envolvendo o termo “Super El Niño”, Hiremar afirma que o termo atrai cliques e gera alarmismo na grande mídia

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Segundo ele, previsões climáticas de longo prazo trabalham com probabilidades e margens de erro, principalmente durante períodos de menor previsibilidade nos modelos meteorológicos.

Devemos estar preparados?

Mesmo sem saber a intensidade exata do fenômeno, Hiremar explica que a precaução não deve esperar a confirmação do termo “Super”. Ele afirma que a precaução deve ser feita pelos órgãos públicos.

“Se a probabilidade de um El Niño (mesmo moderado a forte) já passa dos 80% para o final do ano, governos, o setor agrícola e a Defesa Civil já devem acionar seus protocolos de contingência”, completou.

Segundo Hiremar, ações como monitoramento de áreas de risco, planejamento hídrico, reforço de encostas e preparação da Defesa Civil devem ocorrer antes mesmo da confirmação de um evento extremo.

“A prevenção deve acontecer com base na tendência climática, sem esperar o pior cenário se confirmar”, conclui.”