Alexandre de Moraes prorroga prisão de homem que falou em caçar Lula

Prisão foi prorrogada por mais cinco dias, a contar a partir desta quarta-feira (27), a pedido da Polícia Federal e com a anuência do MPF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes

Alexandre de Moraes | Fábio Rodrigues/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), prorrogou nesta terça-feira (26) a prisão temporária de Ivan Rejane Fonte Boa Pinto, o homem que defendeu em redes sociais ataques a políticos de esquerda, como o ex-presidente Lula (PT), e a ministros da corte suprema.

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A prisão foi prorrogada por mais cinco dias, a contar a partir desta quarta-feira (27), a pedido da Polícia Federal e com a anuência do Ministério Público Federal. Moraes ainda pode, ao fim desse período, transformar a prisão temporária em preventiva (sem tempo determinado).

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Segundo a PF, é necessário mais tempo para analisar o material apreendido e evitar que ele entre em contato com outros membros de um eventual grupo criminoso do qual participaria.

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Em sua decisão, Moraes aponta que, ao ser preso, Boa Pinto publicou um novo vídeo em redes sociais intitulado “PRENDE ELE! A esquerda pira e se desespera diante dos fatos… o Brasil acordou! Chora tchutchuca….”.

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Nesse vídeo, ele volta a convocar pessoas para invadir o Supremo no Sete de Setembro e ataca mais um ministro, Dias Toffoli, além dos outros oito que havia ofendido anteriormente.

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“Neste novo vídeo, há referência expressa ao art. 142 da Constituição Federal [sobre o papel das Forças Armadas] e à possibilidade de rompimento institucional do Estado Democrático de Direito, também se vislumbrando como possível a configuração do delito de incitação ao crime, previsto no art. 286, parágrafo único, do Código Penal”, diz Moraes em sua decisão.

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“Incorre na mesma pena quem incita, publicamente, animosidade entre as Forças Armadas, ou delas contra os poderes constitucionais, as instituições civis ou a sociedade.”

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O ministro afirma que, diante desse quadro, é necessário que “a autoridade policial avance na análise do material apreendido e na elucidação das infrações penais atribuídas à associação criminosa em toda a sua extensão”.

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Também é preciso, segundo ele, que se analise “se há nas informações contidas nos bens e documentos recolhidos elementos que possam ensejar a realização de novas atividades investigativas, além de mitigar as oportunidades de reações indevidas e impedir a articulação com eventuais outros integrantes da associação”.

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Ivan Rejane Fonte Boa Pinto, 46, foi preso na última sexta-feira (22) pela Polícia Federal em Belo Horizonte, após resistir à prisão. Ele havia sido candidato a vereador da capital mineira em 2020, sob o nome Ivan Papo Reto, pelo PSL (hoje, União Brasil). Teve 189 votos.

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Além da prisão, Moraes determinou a busca e apreensão de “armas, munições, computadores, tablets, celulares e outros dispositivos eletrônicos” em poder de Boa Pinto.

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Na ação policial, no entanto, foram apreendidos apenas um celular e um notebook.

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Moraes também determinou ao Twitter, ao YouTube e ao Facebook que bloqueiem as redes sociais do ex-candidato e que o Telegram bloqueie um grupo que ele administrava.

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Antes da decisão, a advogada de Ivan Rejane, Amanda Rodrigues Alves, tinha solicitado a revogação da prisão sob a justificativa de que as falas de seu cliente “foram ditas em um momento de ira com a situação jurídico política vivenciada no país, o que por si só afasta o dolo específico necessário à configuração da grave ameaça”.

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“Mas, não bastasse isso, não há nos dizeres acima colacionados qualquer ameaça apta a configurar um
mal injusto e grave passível de concretude, afinal, qual a grave ameaça ao dizer: ‘vamos pendurar vocês de cabeça para baixo’ ou ‘vamos começar a caçar você’? Qualquer das duas frases não trazem em si uma expressão que por si só apresenta um objetivo certo, determinado, mas meras alegações vazias, sem
qualquer plausibilidade.”