O esvaziamento de funções da Casa Civil, anunciado na manhã desta quinta-feira (30) por Jair Bolsonaro, foi interpretado por auxiliares do Palácio do Planalto como um sinal de que Onyx Lorenzoni (DEM-RS) deixará o governo em breve.
Dois dias depois de demitir pela imprensa o número dois da pasta, Vicente Santini, o presidente anunciou nas primeiras horas da manhã desta quinta a transferência do PPI (Programa de Parceria de Investimentos) da Casa Civil para a Economia, gesto que esvazia e enfraquece Onyx, que está em férias.
Onyx foi um aliado de primeira ordem de Bolsonaro durante a campanha e o período de transição, dos quais participou como coordenador. Desde que assumiu a Casa Civil em janeiro de 2019, o ministro viu seu poder diminuir gradualmente. Em junho de 2019, ele já havia perdido a função de articulador político, hoje na Secretaria de Governo, e a SAJ (Subchefia de Assuntos Jurídicos), transferida para a Secretaria-Geral.
Bolsonaro estuda desde o ano passado fazer mudanças em sua equipe ministerial, mas aguardava um momento oportuno para anunciá-las. Ele adiou a tomada de decisão no fim de 2019 para negar o noticiário da imprensa de que ele estava prestes a trocar as chefias da Casa Civil e do Ministério da Educação.
Segundo aliados do presidente, o caso Santini surgiu como a desculpa perfeita para que a reformulação de equipe aconteça.
Santini teve sua saída da secretaria-executiva anunciada por Bolsonaro na terça (28) depois de ter usado um voo exclusivo da FAB (Força Aérea Brasileira) para voar de Davos, na Suíça, para Déli, na Índia.
O presidente classificou o episódio como “inadmissível” e “imoral”. Porém, na noite de quarta, 29, Santini foi nomeado para outra função na Casa Civil, como assessor especial da Secretaria Especial de Relacionamento Externo, para ganhar um salário apenas R$ 300 menor. A repercussão negativa levou a novo recuo de Bolsonaro em menos de 12h.
