Entre em nosso grupo
2
Continua depois da publicidade
avanço do mar expõe a costa a ondas mais fortes, tempestades e correntes | Divulgação/Prefeitura de Praia Grande
Até 50% das praias do planeta correm risco de desaparecer nas próximas décadas. O alerta vem de uma série de pesquisas coordenadas por especialistas brasileiros e uruguaios, divulgadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e destacadas pelo ScienceDaily.
Continua depois da publicidade
Os estudos apontam que dois fatores atuam em conjunto para acelerar a erosão costeira: o aumento do nível do mar, provocado pelas mudanças climáticas, e a ocupação humana desordenada nas faixas de areia.
Segundo o cientista marinho Omar Defeo, da Universidad de la República (Uruguai), "quase metade das praias desaparecerá até o fim do século" caso não haja políticas efetivas de conservação.
O avanço do mar expõe a costa a ondas mais fortes, tempestades e correntes capazes de remover grandes volumes de areia, um processo intensificado em áreas com construções muito próximas da orla ou onde dunas e vegetação nativa foram removidas.
Continua depois da publicidade
A perda das praias afeta ecossistemas inteiros, comunidades costeiras, atividades econômicas como pesca e turismo e aumenta a vulnerabilidade de cidades ao avanço do mar. Até mesmo áreas hoje consideradas estáveis podem se tornar frágeis nas próximas décadas.
Os especialistas defendem que gestão costeira, restauração ambiental e planejamento urbano responsável sejam tratados como prioridades globais frente ao agravamento das mudanças climáticas.
As praias são formadas por três zonas interligadas: dunas, faixa de areia e área submersa. Esse sistema troca sedimentos continuamente, o que mantém o equilíbrio natural. Quando uma dessas partes é alterada pela urbanização, todo o ecossistema é afetado.
Continua depois da publicidade
A retirada de dunas, por exemplo, elimina a proteção natural contra tempestades. "Quando a urbanização elimina a duna, o resultado pode ser a destruição de casas à beira-mar", explica Defeo.
Outro levantamento, publicado na revista Frontiers in Marine Science, analisou 315 praias em diversos países. O estudo indica que uma em cada cinco apresenta erosão intensa, extrema ou severa, resultado da combinação entre elevação do nível do mar, mudanças no padrão de ventos e ondas, e interferências humanas.
Praias com declive acentuado, as chamadas "reflexivas" ou "de tombo", são consideradas mais vulneráveis ao impacto das ondas, especialmente quando pressionadas por ocupação urbana.
Continua depois da publicidade
Um estudo liderado pelo pesquisador Guilherme Corte analisou 90 pontos em 30 praias do litoral norte de São Paulo. Os dados mostram que o número de frequentadores é a variável que mais afeta a biodiversidade marinha nas zonas submersas, reduzindo a riqueza de espécies e a biomassa.
Construções erguidas na areia e limpeza mecânica frequente também agravam as perdas. O avanço do mar também ameaça transformar de forma irreversível o cenário de duas das praias mais conhecidas do Brasil: Copacabana e Ipanema, no Rio de Janeiro.
Os pesquisadores destacam que os impactos não ficam restritos ao local de intervenção, mas alterações na área seca repercutem na zona submersa e em toda a cadeia ecológica.
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade