A empresa norte-americana Colossal Biosciences lidera atualmente um projeto ambicioso para trazer o dodô de volta à natureza. Esta ave, que não voava e habitava as Ilhas Maurício, desapareceu no século 17 após a chegada de colonizadores europeus.
Agora, avanços recentes na engenharia genética permitem que pesquisadores recriem um animal com características muito semelhantes às da espécie extinta.
A tecnologia por trás da desextinção do Dodô
Diferente de experimentos anteriores, os cientistas não utilizam a clonagem direta neste processo. Em vez disso, a equipe recorre à edição genética avançada de espécies vivas relacionadas, como a pomba-de-nicobar, que possui o parentesco mais próximo com o dodô.
Nesse sentido, os pesquisadores cultivam células germinativas primordiais em laboratório. Essas células permitem a edição de genes específicos que a equipe transfere, posteriormente, para embriões de galinhas modificadas.
Consequentemente, essas galinhas atuam como “mães substitutas” e produzem gametas com o material genético alterado do dodô.
O avanço do ‘ovo artificial’ do dodô
Além das técnicas genéticas, a companhia anunciou recentemente a criação de um sistema de “ovo artificial”. Essa tecnologia inovadora permite a incubação de embriões fora de uma casca natural.
Até o momento, o sistema já garantiu o nascimento de 26 pintinhos saudáveis, o que aumenta o otimismo dos cientistas.
Por causa desses progressos, a Colossal projeta um prazo de cinco a sete anos para apresentar os primeiros resultados significativos.
No entanto, a empresa admite que o objetivo final não busca uma cópia 100% idêntica ao original, mas sim um organismo híbrido que preserve as características essenciais da ave perdida.
Desafios éticos e o futuro da biodiversidade
Apesar do entusiasmo do setor de biotecnologia, o projeto enfrenta críticas de especialistas independentes. Muitos pesquisadores questionam o investimento de recursos elevados na recuperação de espécies extintas em vez da proteção de animais que correm risco de desaparecer hoje.
Por outro lado, os defensores da iniciativa argumentam que as tecnologias desenvolvidas para o dodô servirão como um marco na biopreservação.
De acordo com os cientistas, essas ferramentas ajudarão a fortalecer a diversidade genética e a proteger espécies em risco crítico de extinção no futuro. Além do dodô, a Colossal também mantém planos para reviver o mamute-lanoso e o tigre-da-tasmânia.
