Banheiro de universidade aparece com comentário racista no interior de SP

Responsável ainda não foi identificado

Banheiro de universidade aparece com comentário racista no interior de SP

Banheiro de universidade aparece com comentário racista no interior de SP | Reprodução/Arquivo Pessoal

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, no interior de São Paulo, se pronunciou, nesta quinta-feira (18/7), após um comentário racista ser encontrado em um banheiro da instituição. Em nota, a universidade repudiou às ofensas. 

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“Curso de preto”

Uma foto, com a frase “enf curso de preto” no banheiro da Unesp, circulou nas redes sociais recentemente. O insulto faz referência ao curso de Enfermagem, que faz parte dos 12 cursos oferecidos pela universidade no campus.

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Segundo estudantes, a foto foi compartilhada em maio de 2024 e permanece desde então.

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O que disse a Unesp?

Em meio a este cenário, a Unesp de Botucatu confirmou a pichação e repudiou às ofensas. “A presidência adotou as medidas para remoção do conteúdo ofensivo e limpeza do local”, consta em trecho da nota.

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Além disso, a universidade alegou dificuldades para identificar os responsáveis e solicita auxílio de terceiros, quem saiba o autor ou tenha alguma suspeita.

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Não foi um caso isolado

A Unesp Botucatu já esteve envolvida em outros dois casos de racismo, um em 2022, envolvendo calouros e outro em 2015, feito pelos estudantes de Medicina. Relembre os acontecimentos.

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Blackface

Reprodução/Arquivo Pessoal

Em novembro de 2022, a instituição investigava os envolvidos por realizar um “blackface”, historicamente usado para ridicularizar as pessoas negras.

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À época, calouros foram pintados com tinta escura para participar de um trote universitário. Após a “brincadeira”, fotos circularam nas redes sociais repudiando o ato.

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Em sua defesa, a república onde o trote aconteceu alegou que a gincada é tradicional e é uma “forma de integração entre calouros e veteranos das repúblicas, sendo os times separados por cores com o intuito de identificar os integrantes de cada equipe na competição. As cores disponíveis eram amarelo, rosa, azul, verde, vermelho, marrom e preto”.

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Ku Klux Klan

Reprodução/Redes sociais

Em 2015, estudantes do sexto ano de medicina foram acusados de racismo após postarem em suas redes sociais fotos na recepção dos calouros. Nas imagens, os veteranos vestiam uma fantasia de carrasco, comparados nas redes aos trajes da organização Ku Klux Klan.

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O grupo é historicamente conhecido por defender a supremacia branca.

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Nota da Unesp

Confira a nota na íntegra:

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“Foi com indignação e tristeza que o Grupo Administrativo do Campus (GAC) e a direção das unidades universitárias da Unesp de Botucatu tomaram conhecimento de uma pichação ofensiva e deplorável encontrada em um dos banheiros da Biblioteca do Campus, em Rubião Júnior. Acintosamente racista e carregada de sexismo e elitismo, trata-se de uma ação profundamente perturbadora e contrária aos valores de igualdade, respeito e diversidade que defendemos.

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Diante desse lamentável episódio, manifestamos nosso veemente repúdio. Assim que foi informada, imediatamente a presidência do Campus adotou as medidas para remoção do conteúdo ofensivo e limpeza do local. É inaceitável que manifestações dessa natureza persistam em nossa sociedade.

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Temos trabalhado para transformar a Universidade em uma trincheira de resistência e luta contra o ódio e o preconceito. Para fazer dela, cada dia mais, o espaço onde as relações humanas sejam construídas a partir de princípios e valores como o respeito, a tolerância e a fraternidade.

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O enfrentamento a toda forma de discriminação e preconceito; a luta contra o racismo e a promoção da inclusão e igualdade no ambiente universitário, mais do que bandeiras, são compromissos prioritários para a UNESP, e pilares que sustentam a construção da universidade pública, gratuita, inclusiva e plural.

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Neste momento, expressamos nossa solidariedade a todos, todas e todes afetados por este lamentável episódio. Reforçamos nosso compromisso em trabalhar incansavelmente para erradicar o racismo e todas as formas de discriminação de nosso campus. Não pouparemos esforços nessa luta.

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Ao mesmo tempo em que nos solidarizamos com as vítimas dessa agressão, lamentamos a dificuldade em identificar os responsáveis. Pedimos à comunidade que, caso haja conhecimento ou suspeitas sobre a autoria, assim como informações sobre grupos disseminadores de ódio e preconceito, que isso seja comunicado à presidência do Campus, diretamente ou através da Ouvidoria”.

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*Texto sob supervisão de Diogo Mesquita